Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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9 de junho de 2013

Amor tímido: António Manuel Couto Viana

Íamos, quantas vezes, de mão dada,
Sob a chuva de Inverno, ver o mar.
Do meu amor por ti, o que sabias? Nada.
E eu reprimia o beijo que te queria beijar.

Como somos tão tímidos, na idade
Que tudo nos promete em flor!
E seguíamos vagueando pelos cais da cidade,
sem te falar do meu amor.

Ao regressar a casa, odiava-me. Fechado
No quarto, eu desenhava teu rosto num papel.
E beijava-o a chorar, desesperado.
Depois, rasgava-o, cruel.


António Manuel Couto Viana
Portugal 1923-2010

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3 de maio de 2013

Dezasseis anos, talvez : António Manuel Couto Viana

Dezasseis anos, talvez
Vejo-a, no café, cada manhã,
A folhear, atenta, um compêndio de inglês,
Com o perfume a Escola e a maçã.

Não me canso de a olhar. Às vezes olha
(Um velho!), num desvio de atenção,
E logo volta a folha,
Enquanto molha
o bolo no «galão».

Eu saio, com pesar, bebida a «bica».
Ela é a minha manhã,
Tão natural, tão clara… que ali fica.

- Que saudades da Escola! Que fome de maçã!


António Manuel Couto Viana
(Portugal 1923-2010)
in Poemas Portugueses
“Antologia poesia portuguesa séc. XIII ao séc. XXI
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