Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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9 de julho de 2013

À noite na cama: Clarice Lispector


   
  «À noite na cama Constança aproximava-se,
colava-se rente ao corpo quente de Henrique, tocava-lhe no peito liso
nas ancas magras, no púbis grande e largo, até o acordar e rebolarem
juntos nos lençóis revolvidos pelo sono.
        Era o lugar de que esteio? As ancas estreitas e duras, aquele
olhar sem piedade nem remédio que o escuro do quarto devorava
mas ela conhecia tão bem; tão perto da maldade.
        Às vezes acordava de madrugada e ficava horas debruçada
sobre ele, a respirar-lhe o cheiro. A beber-lhe o hálito. A lamber-lhe
os ombros até ele acordar e a abraçar, entrar nela e se virem os dois
ao mesmo tempo.
        Numa pressa.
            Num desatino.
               Encharcados em suor.»

Clarice Lispector
Ucrânia 1920 - Brasil 1977
in A Paixão segundo G. H.                                (Excerto)
photo by Google

Tu eras a pessoa mais antiga... : Clarice Lispector




































« Tu eras a pessoa mais antiga que eu jamais conheci. Eras a monotonia de 
meu amor eterno, e eu não sabia. Eu tinha por ti o tédio que sinto nos feriados. 
O que era? era como a água escorrendo numa fonte de pedra, e os anos 
demarcados na lisura da pedra, o musgo entreaberto pelo fio d'água correndo, 
e a nuvem no alto, e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado, 
e o silêncio no voo dos mosquitos. E o presente disponível. E minha libertação 
lentamente entediada, a fartura, a fartura do corpo que não pede e não precisa.»


Clarice Lispector
Ucrânia 1920 - Brasil 1977
   in A Paixão segundo G. H.                                                                                                                                                                                                                                                                             

12 de dezembro de 2011

Há momentos na vida: Clarice Lispector

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos

é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector 
Ucrânia 1920 - Brasil 1977
photo by Google