Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

Mostrar mensagens com a etiqueta D. Francisco Manuel de Melo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. Francisco Manuel de Melo. Mostrar todas as mensagens

25 de junho de 2015

Escusa-se ao Céu com a causa do seu delírio: D. Francisco Manuel de Melo




Pois se para os amar não foram feitos,
Senhor, aquêles olhos soberanos,
Porque, por tantos modos, mais que humanos,
Pintando os estivestes tão perfeitos?

Se tais palavras e se tais conceitos,
Tão divinas, tão longe de profanos,
Não destes por oráculo aos enganos,
Com que Amor vive nos mais altos peitos,

Porque, Senhor, tanta beleza junta,
Tanta graça e tal ser lhe foi deitado,
Qual ídolo nenhum gozara antigo?

Mas como respondeis a esta pergunta?
Que ou para disculpar o meu pecado,
Ou para eternizar o meu castigo?


D. Francisco Manuel de Melo
(Portugal 1608-1666)
in Os dias do Amor

photo by Google

23 de março de 2014

Meu amor, tanto vos amo: D. Francisco Manuel de Melo



     Meu amor, tanto vos amo,
que meu desejo nam ousa
desejar nenhua cousa.

          Porque se a desejasse,
logo a esperaria,
e se eu a esperasse
sey que vos anojaria:
mil vezes a morte chamo,
e meu desejo nam ousa
desejar-me outra cousa.


D. Francisco de Portugal
Conde do Vimioso
(Portugal 1483?-1549)
photo by Google