Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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25 de maio de 2015

Um firme coração posto em ventura: Diogo Bernardes




Um firme coração posto em ventura,
Um desejar honesto, que s’enjeite
De vossa condição, sem que respeite
A meu tão puro amor, a fé tão pura;

Um ver-vos, de piedade e de brandura
Imagem sempre, faz-me que suspeite
Qu’alguma brava fera vos deu leite,
Ou que naceste d’ua pedra dura.

Ando buscando causa que desculpe
Crueza tão estranha; porém, quanto
Nisso trabalho mais, mais mal me trata,

Donde vem que não há quem nos não culpe:
A vós, porque matais quem vos quer tanto;
A mim, que tanto quero a quem me mata.


Diogo Bernardes
(Portugal 1520-1605)
in Os dias do Amor
Editor: Ministério dos Livros
photo by Google


18 de abril de 2015

Diogo Bernardes: Onde porei meus olhos que não veja



Onde porei meus olhos que não veja
A causa, donde nasce meu tormento?
A que parte irei co pensamento
Que para descansar parte me seja?


Já sei como s’engana quem deseja,
Em vão amor, firme contentamento:
De que nos gostos seus, que são de vento,
Sempre falta seu bem, seu mal sobeja.


Mas inda, sobre claro desengano,
Assim me traz est’alma sogigada,
Que dele está pendendo o meu desejo;


E vou de dia em dia, de ano em ano,
Após um não sei quê, após um nada:
Que, quanto mais me chego, menos vejo.






Diogo Bernardes
Portugal 1520-1605
in Poemas de Amor
Antologia de Poesia Portuguesa
Editor: Publicações D. Quixote
photo by Google