Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

26 de junho de 2015

Lembre-vos quão sem mudança: Bernardim Ribeiro


Lembre-vos quão sem mudança,
Senhora, é meu querer,
perdida toda esperança;
e de mim vossa lembrança
nunca se pode perder.
Lembre-vos quão sem por quê
desconhecido me vejo;
e, com tudo, minha fé
sempre com vossa mercê,
com mais crecido desejo.

Lembre-vos que se passaram
muitos tempos, muitos dias,
todos meus bens se acabaram,
com tudo, nunca mudaram;
querer-vos, minhas porfias.
Lembre-vos quanta rezão
tive pera esquecer-vos,
e sempre meu coração,
quanto menos galardão,
tanto mais firme em querer-vos.

Lembre-vos que, sem mudar
o querer desta vontade,
me haveis sempre de lembrar,
té de todo me acabar,
vós e vossa saudade.
Lembre-vos como pagais
o tempo que me deveis,
olhai quão mal me tratais:
Sam o que vos quero mais,
o que menos vós quereis.

Lembre-vos tempo passado,
não porque de lembrar seja,
mas vereis quão magoado
devo de ser c’o cuidado
do que minha alma deseja.
Lembre-vos minha firmeza,
de vós tão desconhecida,
lembre-vos vossa crueza,
junta com minha tristeza,
que nunca foi merecida.

Lembre-vos que se quiséreis,
assi como consentistes
nestes meus males, fizéreis
com o menos que pudéreis
não serem meus dias tristes.
Lembre-vos quão mal tratado
lembranças vossas me trazem;
eu sempre menos mudado,
quando mais desesperado
vossas mostranças me fazem.

Lembre-vos a quão má vida
tenho, por bem vos querer;
esta dor faz mais crecida
não vos ver arrependida
de mo assi desconhecer.
Lembre-vos, minha senhora,
que, por já me verdes vosso,
mostrais que vos desnamora
procurar ver-vos cada hora,
o que eu escusar não posso.

Lembre-vos que nem por isso
minha fé vereis mudada,
o que está craro e bem visto,
pois cousas mores naquisto
tiveram forças de nada.
Lembre-vos que outra mercê
de mim nunca foi pedida,
senão só que minha fé,
pois tinha causa por quê,
fosse de vós conhecida.

Nestes dias dezimados,
lembre-vos com quanta pena
hão-de viver meus cuidados,
sendo já desesperados,
vendo que nada os condena.
Lembre-vos que vida tal
nunca vo-la mereci;
olhai bem em quanto mal
me pagais o ser leal
c’o tempo que vos servi


Bernardim Ribeiro
Portugal 1482-1552
in Os dias do Amor
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Cantiga: Rui Gonçalves


Que de meus olhos partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais
e nêle vos converteis.

Est’é o vosso lugar,
em que mais certa vos vejo,
porque nam quer meu desejo
que vos d’i possais mudar.
E por isso, que partais,
em qualquer parte qu’esteis,
em meu coraçam ficais,
pois nêle vos converteis.


Rui Gonçalves
Portugal Séc. xv
in Os dias do Amor
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Vitral: Afonso Duarte


Franzina, é como um choupo à luz da Lua;
É a noite escura o seu olhar de mágoa.
Uma ogiva os seus braços quando amua,
Modelo foi dos cantarinhos de água.

Dizem os seios que a farão mãezinha;
Oh! Que linda menina casadoira!
São os seios da virgem donzelinha,
Dois novelos saltando à dobadoira.

Seus lábios, duas pétalas de rosa;
Abrem as rosas como a boca enlaça…
Em beijo a boca é uma flor ciosa.

Num lago a Lua: o seu andar embala;
São suas mãos às que eu imploro a graça,
Seu corpo esguio, uma ânfora com fala.


Afonso Duarte
                   Portugal 1884-1958
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25 de junho de 2015

Escusa-se ao Céu com a causa do seu delírio: D. Francisco Manuel de Melo




Pois se para os amar não foram feitos,
Senhor, aquêles olhos soberanos,
Porque, por tantos modos, mais que humanos,
Pintando os estivestes tão perfeitos?

Se tais palavras e se tais conceitos,
Tão divinas, tão longe de profanos,
Não destes por oráculo aos enganos,
Com que Amor vive nos mais altos peitos,

Porque, Senhor, tanta beleza junta,
Tanta graça e tal ser lhe foi deitado,
Qual ídolo nenhum gozara antigo?

Mas como respondeis a esta pergunta?
Que ou para disculpar o meu pecado,
Ou para eternizar o meu castigo?


D. Francisco Manuel de Melo
(Portugal 1608-1666)
in Os dias do Amor

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Cartas Portuguesas, excerto: Soror Mariana Alcoforado


Esta é uma das cartas escritas por Mariana Alcoforado ao seu grande amor:

Ignoro por que motivo te escrevo...
Vejo que apenas terás dó de mim, e eu rejeito a tua compaixão, e nada quero dela;
Enfado-me contra mim mesma, quando faço reflexão sobre tudo o que te sacrifiquei...
Perdi a minha reputação; expus-me aos furores de meus pais e parentes, às severas
leis deste Reino contra as religiosas...
E à tua ingratidão, que me parece a maior de todas as desgraças...Ainda assim eu
sinto que os meus remorsos não são verdadeiros, e que do íntimo do meu coração
quisera ter corrido muito maiores perigos por Amor de ti, e provo um
funesto prazer de ter arriscado por ti vida e honra.
Tudo o que me é mais precioso não devia eu entregá-lo à tua disposição?...
E não devo eu ter muita satisfação de o ter empregado como fiz?...
Parece-me até não estar contente, nem dás minhas mágoas, nem do excesso de meu Amor,
ainda que, ai de mim! não
possa, mal pecado, lisonjear-me de estar contente de ti...
Vivo, e como desleal, faço tanto por conservar a vida, quanto perdê-la!...
Morro de vergonha...
Acaso a minha desesperação existe somente nas minhas ?...
Se eu te amasse com aquele extremo que milhares de vezes te disse, não teria eu já de
longo tempo cessado de viver?...
Enganei-te...
Tens toda a razão de queixar-te de mim...
Ah ! por que não te queixas?...
Vi-te partir; nenhumas esperanças posso ter de mais ver-te. e ainda respiro!...
É uma traição...
Peço-te dela perdão. Mas não mo concedas...
Trata-me rigorosamente. Não julgues os meus sentimentos veementes...
cont.)
Sê mais difícil de contentar...
Ordena-me nas tuas cartas que morra de Amor por ti...
Oh! conjuro-te de me dares esse auxílio para poder vencer a fraqueza do meu sexo,
e pôr termo às minhas irresoluções,
por um golpe de verdadeira desesperação. Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida,
a pensar muitas vezes em mim...
A minha memória te seria cara, e quiçá esta morte extraordinária te causaria uma sensível comoção.
E a morte não é porventura preferível ao estado a que me abaixaste?...
Adeus! Muito quisera nunca haver posto os olhos em ti.
Ah! sinto vivamente a falsidade deste sentimento, e conheço neste mesmo instante em que te escrevo,
quanto prefiro e prezo mais ser infeliz amando-te, do que não te haver jamais visto.
Cedo sem murmurar à minha malfadada sorte, já que tu não quiseste torná-la melhor. Adeus.
Promete-me de conservar uma terna e maviosa saudade de mim, se eu falecer de dor; e assim
possa ao menos a violência da minha paixão, inspirar-te desgosto e afastar-te de tudo!
Esta consolação me será suficiente, e, se é força que te abandone para sempre, desejara muito
não deixar-te a outra.
Dize, não seria nímia crueldade a tua, se te servisses da minha desesperação para, pareceres
mais amável, mostrando que acendeste a maior paixão que houve no mundo?
Adeus outra vez...
Escrevo-te cartas excessivamente longas, o que é uma falta de consideração para ti: peço-te mil perdões,
e atrevo-me a esperar que terás alguma indulgência para com uma pobre insensata, que o não era,
como tu bem sabes, antes de amarte.
Adeus.
Parece-me que demasiadas vezes me dilato em falar do estado insuportável em que estou.
Contudo agradeço-te, do íntimo do meu coração, a desesperação que me causas, e aborreço o sossego
em que vivi antes de conhecer-te...
Adeus.
A minha paixão cresce a cada momento.
Ah! quantas cousas tinha ainda para dizer-te!...



Soror Mariana Alcoforado
(Portugal 1640-1723)
in Cartas Portuguesas
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Jerónimo Baía: Se para o canto amor me infunde quanto


Se para o canto amor me infunde quanto
No coração incêndio, luz na rima,
Se como lima o peito, o verso lima,
Se dá qual morte à vida, vida ao canto.


Pintarei tão alegre, doce tanto
A pena, que me mata, e que me anima,
Que quem do meu tormento se lastima
Me deseje o pesar, me inveje o pranto.


Vossa efígie, gentil Márcia adorada,
Qual foi da vista ao peito transferida,
Será do peito ao verso trasladada:


E como vista em vós, em mim ouvida
Terá dobrado ser, vida dobrada,
Se a quem morte me dá, dar posso eu vida.


Jerónimo Baía
(Portugal 1620-1688)
in Os dias do Amor
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Ameaças: José Miguel Silva


Aviso-te, velhaca, mais uma vez:
mete-te com os da tua laia, ladra,
que me levaste da mesa os copos
por onde bebia e deixaste na alma
as cadeiras frias. Arrepende-te, Morte,
e devolve-me as veias, os amigos,
as sementes de papoila. Restitui-me o intacto
futuro da minha juventude, a fotografia
onde cabíamos todos e a minha solidão
era uma onda quebrada nas pedras de gelo.
Traz-me de volta o silêncio do Jaime,
o cheiro a serrim, traz-me o Leal e ainda
o Artur, com todas as músicas desse verão,
o nó da fortuna, de '89. Não te esqueças
também do Luís, deixou por contar
o resto da história. Nem do Joel,
o mais desgraçado rapaz,
que me confessou um dia haver morrido
sem nunca ter sido beijado.

Fazes-me isso, e perdoo-te o resto. Mas
se torno a ver-te a menos de quinze passos
dos meus - eu juro que te mato.



José Manuel Silva
Portugal 1969
in Ulisses já não mora aqui
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Pablo Neruda: O insecto

Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.

Sou mais pequeno que um insecto.

Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centimetros queimados,

pálidas perspectivas.

Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!

Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.

Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno

de vaso escaldante!


Pablo Neruda
Chile 1904-1973
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Camila Cintra: Geometria dos corpos




A menor distância
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.

Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.

Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...

Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris


Camila Cintra
Brasil

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24 de junho de 2015

O mínimo de nós dois: Camila Cintra


 
 




























                              No pequeno espaço
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do desejo
que nos guia um para o outro

Na ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam e fundem-se os hormônios
da nossa química mais secreta

No mínimo silêncio
onde somente nossos corpos falam
deslizam mãos em carícias
de tatos cegos que tudo dizem

No fugaz e eterno momento
da consumação de nosso amor
gritam gargantas no gozo do prazer
da quase dor desse explodir...


Camila Sintra
Brasil
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D’amor escrevo, d’amor trato e vivo: Anónimo

D’amor escrevo, d’amor trato e vivo,
d'amor me naçe amar sem ser amado,
d’amor padeço lembrãça d’u cuidado,
de que o mesmo amor me faz cativo.

 
D’amor perfeito, justo, brando, altivo,
d'amor leal, d’amor dezenganado,
d’amor que póde tanto em todo estado
me vem padeçer en hu amor esquivo.

 
Dezamor he que faz tanta mudança,
que amor sempre custuma ser cõstante
nas partes que pertende a fé que trata.


Aqui nada aproveyta que esperança
se em parte dá prazer ao triste amante,
nas mais lhe dá pesar e ao longe o mata.

 

Anónimo
(Portugal Séc. XVI)
In Os dias do Amor
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Benjamin Ben Jonson: Canção, Para Celia


Brinda-me só com teus olhos,
Eu com os meus te saúdo;
Ou deixa um beijo no copo:
Não é vinho que eu procuro.
Pede bebida divina
A sede que vem da alma;
Só que o néctar de Zeus
Pelo teu eu não trocava.
 
Mandei grinalda de rosas,
Não tanto pra te agradar:
Na esperança que ao pé de ti
Nunca viesse a murchar.
Eis que tu, mal a cheiraste,
A devolveste, ligeira;
Não é a si própria, não,
É a ti que ela cheira.


Benjamin Ben Jonson
(England 1572-1637)
in Os dias do Amor
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Índios da América do Norte: Dons do Amante


 


























Sobre a tua cabeleira hei-de pôr, para as núpcias,
uma coroa de borboletas com suas
asas pintadas

Terás de volta ao pescoço flores de abóbora,
em prata,
e a lua que para ti noites e noites forjei.

Andarás pelo povo sobre um cavalo em turquesa.
Um cavalo ardente e leve, animado
pelo meu fogo de amor.

E a teus pés eu lançarei uma pedra quente  quente:
o coração onde correm
milhões de gotas de sangue.


 
Povo Índio
América do Norte
Séc. XVIII-XIX
Trad.HerbertoHelder
In Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim
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Camila Cintra: Tu e eu:


eu entro
entro
entro

entro dentro
dentro
dentro

dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti

tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho

ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida

vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu



Camila Sintra
Brasil
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23 de junho de 2015

Camila Cintra: Seios


Sei que não é para mim
teu leite tão doce
e que a boca que o tem
não te deseja como eu...

Sei que não posso beber tudo
que devo sugar pouco
algumas gotas de teu mel
mas que me alucinam...

Sei que logo vai secar
em breve teus seios voltam
teu filho desmama
e não mais mamarei eu...

Sei que sempre sugarei
teus peitos generosos
teus mamilos penetrantes
tuas carnes que desejo...

Sei que quero te beber
beber-te toda e para sempre
na forma de leite, saliva,
em tua boca, seios e vagina!

 
Camila Cintra
Brasil
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22 de junho de 2015

A Resposta da Ninfa ao Pastor: Walter Raleigh

Se jovem fosse toda a gente e o amor,
E a verdade na boca de cada pastor,
Cada um destes prazeres me levaria
A ir ser teu Amor em tua companhia.
 
Mas ao redil o Tempo recolhe o rebanho,
Quando o rio brame e esfria o rochedo,
É quando Filomela fica como os mudos
E o resto se lamenta de cuidados futuros.
 
Murcham as flores, e o viço campestre
Ao indócil Inverno logo se submete:
Uma língua de mel, coração sem amor,
Primavera de desejo, Outono de dor.
 
Os teus vestidos, sapatos, canteiros de rosas,
Tua boina, saia, flores preciosas,
Breve quebram e murcham – esquecidas são,
A loucura é completa, perde-se a razão.
 
Teu cinto de palhinhas e rebentos de hera,
Tuas fivelas de coral e botões de âmbar –
Entre todos eles nenhum me levaria
A ser teu Amor em tua companhia
 
Se se fosse jovem e o amor gerasse sempre,
Alegrias sem data, velhice não carente,
Por estes prazeres, minha alma decidia
Ir ser o teu Amor em tua companhia.
 
Walter Raleigh
England 1552-1618
in Os dias do amor
Editor: Ministério dos Livros
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Ponderação do Rosto e Olhos de Anarda: Manuel Botelho de Oliveira


Quando vejo de Anarda o rosto amado,
vejo ao céu e ao jardim ser parecido
porque no assombro do primor luzido
tem o sol em seus olhos duplicado.

Nas faces considero equivocado
de açucenas e rosas o vestido;
porque se vê nas faces reduzido
todo o império de Flora venerado.

Nos olhos e nas faces mais galharda
ao céu prefere quando inflama os raios,
e prefere ao jardim, se as flores guarda:

enfim dando ao jardim e ao céu desmaios,
o céu ostenta um sol, dois sóis Anarda,
um maio o jardim logra; ela dois maios.


Manuel Botelho de Oliveira
Brasil 1636-1711
in Os dias do Amor
Editor: Ministério dos Livros
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Esparsa em Acróstico: Diogo Brandão

Do grande mal que causaram
Os olhos, quando vos viram,
N’estes dias o pagaram
Afora quando partiram.
Vida que assim atormenta
I a melhor se perderia,
O penar que se acrescenta
Ledo morrer me faria.
As lágrimas que se dobraram
No coração se sentiram:
Todas meus olhos choraram
Em vendo que não nos viram.

 
Diogo Brandão
Portugal Séc. XV-1530
in Os dias do Amor
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