Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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22 de fevereiro de 2014

Adília Lopes: Mordiscas-me os lábios

























Mordiscas-me os lábios
cão pássaro rapaz
(não quero que te vás embora
e sei que vais ter que te ir embora)
quero dormir contigo
com a tua mão
sobre o meu coração
para que saibas
os meus segredos
beliscas-me ao de leve
eu sei que não é um sonho
mas é como um sonho
para mim


Adília Lopes
Portugal 1960
in “Dobra – Poesia Reunida”
Assirio & Alvim

photo by Google

Desfloras-me: Adília Lopes



Desfloras-me
desfloro-te
porque temos flores
um para o outro
o teu ritmo
em mim
sobre mim
tão novo
para mim
é muito antigo
é como o dos animais
ganho a minha virgindade
que te dou
e que não perco
sou sempre virgem
a minha dor
o meu sangue
são a tua dor
o teu sangue


Adília Lopes
Portugal 1960
in “Dobra – Poesia Reunida”
Assirio & Alvim

photo by Google

13 de abril de 2013

Como és bom na cama: Adília Lopes

Como és bom
na cama
como és bom
como é bom
estar contigo
na cama
como é bom
estar contigo

Adormecemos
de mão dada
                      (...)


Adília Lopes
(Portugal 1960)
in Florbela Espanca Espanca