Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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8 de junho de 2013

Contemplei a tua lua : Ibn "Ammar


Contemplei a tua lua naquela noite
e obtive a tua fertilidade
em tempo de secura.
Ah, quando a nuvem do teu afecto regava o meu pátio,
e o fazia prosperar,
e a terra do meu jardim estremecia!
E, por uma conduta que mudou a minha conduta;
sem dúvida, se não fosse pelas tuas faces
que deslizam sobre mim
tal como a água sobre o verde ramo,
não juntaria o pássaro do amor à árvore do ódio,
e não protegeria o elogio
da rubra reprimenda.
Mas aludirei ao desdém mencionando a lealdade,
e contentar-me-ei com a lonjura depois de ter estado
perto, e se me chegasse um vento gelado do teu céu,
exclamaria “Ó frescor da brisa sobre o meu coração!”


Ibn “Ammar
(Al-Ândalus 1031-1086)
in Os dias do Amor
photo by Google

2 de novembro de 2011

A amada : Ibn Ammar

Ela é uma frágil gazela;                                   
Olhares de narciso
Acenos de açucena.
Sorriso de margarida.

E seus brincos se agitam
Quedam-se os braceletes na escuta
Da música do requebro da cintura.                      

Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos meus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor…                    
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.

Minha alma querer-te, ainda que em tortura,
E sigo-te alegre na ânsia de procura.
Que estranho, ser defesa a nossa ligação,
Se os desejos ambos concordaram!
Que quereria mais o coração
Quando amargurado te buscou em vão

E meus olhos te viram e amaram?
Como desejo que quem tem poder
Sobre ti em nosso encontro não esteja!
Só assim a minha sede vai beber
Em doce fonte teus lábios beija.                                    

           Ibn Ammar - Poeta Árabe
(1031-1084)