Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Hilda de J. Alão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Hilda de J. Alão. Mostrar todas as mensagens

21 de dezembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: Saudade

Apalpa meu seio,
Arrebata-me,
Planta meu sonho
Em crateras da lua.
Silencia meus ais.
Cobre-me com etéreo
Corpo
Provocando desmaios.
Acelera meus fluidos
Em queda de cachoeira.
Apalpa meu ventre,
Sente o movimento
De vidas que nele estiveram
Crescendo para o mundo.
Beija-me os lábios em fogo,
Liberta minha fera
Para devorar meus medos.
Ardo em brasas
Na fogueira do meu passado.
Sou, em momentos, hospedeira
Do seu espírito imprevisível
Tornando-me um fragmento
No espaço do tempo.
Vem e rouba das artérias
O vinho que me anima,
Enfraqueço...
Não quero sentir,
Porém estou diante de um xadrez
Disputado, pedra a pedra todo dia.
Ela, cínica, toma o meu rei, 
A vitoriosa Saudade, 
Para quem perdi o jogo...


Maria Hilda de J. Alão
(Brasil)

14 de dezembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: Meus sonhos nus


Quero vencer todas as barreiras...
Ventos que sopram me desnudem
Lancem-me no profundo abismo
Que é o meu desejo infinito.

Sou fome de boca aberta
A mastigar os silêncios da noite
Despertando, aos gritos,
O meu corpo adormecido.

Tenho a alma em grande sede
Que mergulha no lago fundo
Do suor que me brota da pele
Em busca do divino prazer.

Ardo em fogo. Fecho os olhos...
As mãos são labaredas que dedilham
Harpas em catedrais de deuses,
Onde, nus, vagam os meus sonhos,

De uns braços atando-me como corda
A um corpo rijo como rocha,
E sua voz forte como a da águia
Grite, ao universo, a sua vitória,

Ao dominar sob a luminária
Que pende do teto da alcova,
Esta loba que uiva na cova
Em explosões de muito amor...

Maria Hilda de J. Alão
(Brasil)

20 de novembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: Amor proibido

Antes de morrer queria muito viver
Um exuberante amor proibido,
Daqueles que ninguém haja tido
Para sentir nas veias correr

O sangue, tal qual a lava dum vulcão,
Queimando tudo, deixando só brasas.
Um amor que me transporte em suas asas,
Que não confesse que o seu coração

A outro amor há muito tempo pertence.
Mesmo assim, entregar-me-ia sem pensar,
Porque nada me impede de sonhar,
Como um bufão sob a lona circense,


No palco, onde seu encanto o transfigura,
Ao lembrar a mulher do seu passado
Que o fazia sentir-se feliz, amado,
Esconde a dor que no peito perdura.


Antes de morrer queria muito viver
Esse amor que causa tanta ansiedade
Que é antítese da felicidade,
Fonte do prazer e do muito sofrer.


Maria Hilda de J. Alão
(Brasil)
Photo by Google

17 de novembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: Entre pernas musculosas

Sentada em frente do mastro
Plantado entre pernas musculosas,
A mão nervosa descia e subia
Hasteando a tesuda bandeira
Do homem que gemia e gozava
Na hora em que sol se levantava
Iluminando o seu leito de trevas.
O jorro escorreu pelo mastro,
Branco qual espuma do mar
Formando na mão parada
Um lago de água cremosa
A escorrer por entre os dedos.
Mas o corpo tem seu desejo
De outro para enredá-lo.
Melhor que a mão é a caverna
Com estalactite clitoriana
Para fazer o mastro se perder
Nos labirintos do orgasmo.


Maria Hilda de J. Alão
(Brasil)
Photo by Google

Maria Hilda de J. Alão: Mãos de desejo

Mãos embriagadas de desejo
Procuram as portas do prazer
Para escancará-las à luz
Que brilha na aurora do leito,


Quando os amantes acordam
Com olhos cheios de estrelas
Fixados no céu azul.
Sobre a relva, entre eucaliptos,

As mãos parecem cântaros
Saciando a sede dos corpos,
Ávidos de água bendita
Que lhes brota nas bocas

Quando na relva se unem.
E embotando os sentidos,
Fundem-se em peça única
Com a seiva que gera vida,

Vinda de cimbalístico orgasmo
Vibrando mais que campanários,
Lançam no ar os milhões de notas
Que compõem a ária do amor

Que só as almas podem cantar
Em momento tão sublime,
Os versos nascidos instantâneos
Durante o ato de amar.


Maria Hilda de J. Alão
(Brasil)
photo by Google

12 de novembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: Minha nudez


Voavas sobre a minha nudez
Como pássaro de primeiro vôo,
Descobrindo mistério de selvas
E de águas correntes
Que vão à direção do mar,
Unindo-se em beijo agridoce
Num gemido sacrílego
Da minha garganta pagã,
Abrindo portas de catedrais profanas,
Onde, devoto, genuflexo recebias,
A hóstia sagrada do meu corpo
Em rito de luz iluminando altares
Vindo do meu humano prazer
Que não se apaga, só esmorece,
Voltando a brilhar intensamente
Com o toque sutil dos lábios teus
Nos interruptores dos meus seios...

Maria Hilda de J. Alão
(Brasil )

10 de novembro de 2011

Maria Hilda de J. Alão: A dança do Amor

Fascinante é, do amor, a dança.
Tão leve que o pé não alcança
O chão e no ar me lança

Em movimentos serpentinos
Ao som de címbalos cristalinos
Talhados em materiais argentinos.



 
Rio. Da dança eu tenho o dom.
Deslumbro-te. Mudo a cada tom
Os passos acompanhando o som
 
Do tambor, como numa embriaguez.
Toco teu peito e sinto a calidez,
O suor desce pela morena tez.
 
O coração bate. A mão não recua,
No ar parece pluma que flutua
Desce, lenta, sobre a figura nua,

E explorando cada canto vai
Em frente acarinhando e recai
Sobre o ponto que mais me atrai.

Depois de ter teu corpo envolvido
Na volúpia, que é um fino tecido,
Com as tintas do meu prazer colorido,
Permaneço neste desvario que me seduz.
O espelho do meu quarto reproduz
Teu corpo cansado à meia luz,
 
E sinto que fui Salomé em coleios
Com passos loucos no palco sem receios,
Seduzi-te com a forma dos meus seios.

Maria Hilda J. Alão
(Brasil)
photo by Google

25 de outubro de 2011

Ah! esse homem... : Maria Hilda de J. Alão


Ah! esse homem. Que me toca os seios,
Como um beija-flor toca, no jardim, as flores,
Arrepia-me despertando antigos devaneios,
De mãos no meu corpo em longos passeios.

Ah! esse homem. Que me cobre de beijos,
Que deixa marcas dentadas nos meus braços,
Expõe minha anatomia nua sem segredos,
Como se fosse um quadro de célebre pintor,

E me mira com olhos de sol ofuscante,
Incendeia a tela com seu fogo sagrado,
Remexe a lava, no fundo, adormecida,
No vulcão dos meus profundos desejos,

Fazendo explodir em mim a mulher plena,
A amante ardente de gestos delicados,
Que pouco se importa com os espinhos,
Para ser a dona dos seus carinhos.

                                         " HA! ESSE HOMEM... "
Maria Hílda de J. Alão
(Brasil)
photo by Google
Poema enviado pela nossa admiradora
Maria Angela Silva Casaca Almeida