Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

Mostrar mensagens com a etiqueta Walter Raleigh. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Walter Raleigh. Mostrar todas as mensagens

6 de julho de 2022

Walter Raleigh: O pastor apaixonado por seu amor


Venha viver comigo e seja meu amor;
E nós todos os prazeres provaremos
Que colinas e vales, vales e campos,
Bosques ou montanhas íngremes produzem.

E nós sentaremos sobre as rochas,
Vendo os pastores alimentando seus rebanhos
Por rios rasos em cujas cachoeiras
pássaros melodiosos cantam madrigais.

E te farei canteiros de rosas,
E mil ramalhetes perfumados;
Um chapéu de flores e um kirtle
bordado com folhas de murta;

Um vestido feito da mais fina lã
que arrancamos de nossos lindos cordeiros;
Lindas sapatilhas de linéd para o frio,
Com fivelas do mais puro ouro;

Um cinto de palha e botões de hera,
Com fechos de coral e botões de âmbar:
E, se esses prazeres te moverem,
Venha viver comigo, e seja meu amor.

Os jovens pastores dançarão e cantarão
Para o teu deleite em cada manhã de maio:
Se essas delícias tua mente se pode mover,
então viva comigo e seja meu amor.



Walter Raleigh
Reino Unido, 1552-1618
photo by Google

22 de junho de 2015

Walter Raleigh: A Resposta da Ninfa ao Pastor


Se jovem fosse toda a gente e o amor,
E a verdade na boca de cada pastor,
Cada um destes prazeres me levaria
A ir ser teu Amor em tua companhia.
 
Mas ao redil o Tempo recolhe o rebanho,
Quando o rio brame e esfria o rochedo,
É quando Filomela fica como os mudos
E o resto se lamenta de cuidados futuros.
 
Murcham as flores, e o viço campestre
Ao indócil Inverno logo se submete:
Uma língua de mel, coração sem amor,
Primavera de desejo, Outono de dor.
 
Os teus vestidos, sapatos, canteiros de rosas,
Tua boina, saia, flores preciosas,
Breve quebram e murcham – esquecidas são,
A loucura é completa, perde-se a razão.
 
Teu cinto de palhinhas e rebentos de hera,
Tuas fivelas de coral e botões de âmbar –
Entre todos eles nenhum me levaria
A ser teu Amor em tua companhia
 
Se se fosse jovem e o amor gerasse sempre,
Alegrias sem data, velhice não carente,
Por estes prazeres, minha alma decidia
Ir ser o teu Amor em tua companhia.
 
Walter Raleigh
England 1552-1618
in Os dias do amor
Editor: Ministério dos Livros
photo by Google