Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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14 de dezembro de 2013

Esse disforme e rígido porraz: Manuel Maria Barbosa du Bocage


Esse disforme e rígido porraz
Do semblante me faz perder a cor;

E assombrado d'espanto e de terror
Dar mais de cinco passos para trás;

A espada do membrudo Ferrabraz
Decerto não metia mais horror:
Esse membro é capaz até de pôr
A amotinada Europa toda em paz

Creio que nas fodais recreações
Não te hão-de a rija máquina sofre
Os mais corridos, sórdidos cações:

De Vénus não desfrutas o prazer:
Que esse monstro, que alojas nos calções
É porra para mostrar, não de foder.


Manuel Maria Barbosa du Bocage
(Portugal 1765-1805)

21 de abril de 2013

Levanta Alzira os olhos pudibunda: Bocage



Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:

Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:

C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:

"mais depressa" – lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.



Manuel Maria Barbosa du Bocage
(Portugal 1765-1805)
In Poesias Eróticas Satiricas e Burlescas

22 de dezembro de 2011

Bocage: Se tu visses, Josino, a minha amada


Se tu visses, Josino, a minha amada,
Havias de louvar o meu bom gosto;
Pois seu nevado, rubicundo rosto,
Às mais formosas não inveja nada:

Na sua boca Vénus faz morada:
Nos olhos Cupido as setas posto;
Nas mamas faz Lascívia o seu encosto,
Nela enfim tudo encanta, tudo agrada:

Se a Ásia visse coisa tão bonita
Talvez lhe levantasse algum pagode
A gente, que na foda se exercita!

Beleza mais completa haver não pode:
Pois mesmo o cono seu, quando palpita,
Parece estar dizendo: "Fode, fode!"

Manuel Maria Barbosa du Bocage
(Portugal 1765-1805)

3 de novembro de 2011

Soneto IV : Bocage

Arreitada donzela em fofo leito
deixando erguer a virginal camisa,
sobre as roliças coxas se divisa
entre sombras subtis pachocho estreito:

De louro num circulo imperfeito
os papudos beicinhos lhe matiza;
e a branca crica nacarada e lisa,
em pingos verte alvo licor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando
arruma a focinheira, e entre gemidos
a moça treme, os olhos requebrando:

Como é ainda boçal perde os sentidos;
porém vai com tal ânsia trabalhando,
que os homens é que vêm a ser fodidos.

Manuel Maria Barbosa du Bocage
(Portugal 1765-1805)
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