Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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11 de maio de 2013

Sempre amor : Dora Castellanos

    Para Inês e Adel López Gómez

Não foi só pelo gozo que te busquei:
também te quero para te padecer,
porque só o prazer que dá o ter
não dá a plenitude com que amei.

O vivo resplendor do desfrutado
menos amor é sempre que aquela forte
dor de coração que nos adverte
da cruel sorte de estar enamorado.

Sofro-te com dor, com alegria,
com deleite, com ódio, com doçura,
e toda a felicidade é agonia.

Se um dia nasci, foi para te ver;
para saber a tua paixão e a tua formosura,
para te fruir, Amor, e para te padecer.


Dora Castellanos
(Colombia 1924)
in Um País Que Sonha
"cem anos poesia colombiana"

13 de dezembro de 2012

Há algo em ti: Dora Castellanos

Há algo em ti que nunca conquistei
sombra vã que não obedece,
algo que me perturba e me estremece:
flor  de amor que nunca desfolhei.

É algo indefinível, atormentado;
noite que não acaba nem amanhece;
que sórdido cílio permanece
entre a carne viva, soterrado.

Algo entre a loucura e o espanto.
Grito que vai chegar e nunca chega,
perto do resplendor, próximo do pranto.

Ó trágica dor de ferida cega!
Amor por quem suspiro e me levanto,
há algo em ti que nunca  se me entrega.

Dora  Castellanos
(Colômbia 1924)
in Um País Que Sonha
"cem anos de poesia colombiana"