Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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14 de abril de 2013

Escravo: Poemas eróticos da Arábia antiga



Dez veses a abandonei e dez vezes voltei.
Agora ela sabe que não partirei mais.
E, contudo, não a quero.
Se ela morresse amanhã, eu seria feliz, seria livre!
Conhecem a vergonha de não poder sair do lado de uma mulher
porque o seu corpo é maravilhoso?
Hoje bati-lhe; e, como continuasse a desafiar-me,
ardente, transfigurada, com uma luz tão bela nos olhos divinos,
atirei-me sobre a sua boca como quem se mata,
e jamais beijo algum foi tão voluptuoso.
Quando a ameaço, estira-se preguiçosamente.
Quando ameaço os seus amantes, põe-se a cantar uma canção jocosa.
Quando falo em matar-me, contenta-se em perguntar:
" E quem cuidará das tuas rosas? "
Assim vivo a minha vergonha, esperando que esse
corpo incomparável
murche, como as minhas rosas.


Anónimo
Arábia antiga
Séc. XII?

O beijo à noite: Poemas eróticos da Arábia antiga


Com as mãos segurei a tua cabeça
como quem segura uma ânfora, e servi-me
do néctar do amor.
Quem ousaria pensar que tão pequena ânfora
guardasse tanto licor?
Já a aurora despontava no céu
quando as nossas bocas se separaram.


Anónimo
(Arábia antiga)
Séc. XII?

Os seios, os olhos, a cabeleira: Poemas eróticos da Arábia antiga


Mais brancos, mais cheios de tesouros do que as tendas de um emir
os teus seios, bem amada, são as tendas do meu amor.
Quando, à meia-noite, oculto o meu rosto na tua cabeleira
e procuro os teus olhos, eles são como duas estrelas
que iluminam minha noite perfumada.
Se um dia soubesse que outro dormiu em tua cabeleira
e que os teus olhos iluminaram o rosto desse maldito,
não pegaria o meu punhal nem compraria veneno
mas assobiaria meus cães.
Então caçaria uma gazela que adornaria com teus colares
e despenhá-la-ia num abismo.


Anónimo
(Arábia antiga)
Séc. XII?

11 de abril de 2013

O Primeiro beijo: Poemas eróticos da Arábia antiga

Ela estava de pé, bem perto de mim.
Olhei-a até à alma e as minhas mãos
agarraram seus pulsos.
Cerrando os olhos ofereceu-me a face.
Será que o viajante sedento se contenta com frutos
quando a fonte está próxima?
Por fim unimos nossos lábios.
E todo o seu corpo contra o meu
nada mais era que uma boca.

Anónimo
(Arábia antiga)
Séc.XII?