Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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7 de abril de 2016

William Shakespeare: De ti me separei na Primavera

De ti me separei na Primavera:
quando o radioso Abril, ao sol voando,
em cor e luz, a plenas mãos, cantando,
nova alegria entorna pela esfera...

No viridente bosque até dissera
o pesado Saturno ver folgando...
Porém nem cor vistosa ou cheiro brando
lograram incender minha quimera.

A brancura dos lírios, não a vi...
O vermelhão das rosas, desmaiava...
Eram fantasmas só: ao pé de ti

─   o seu modelo - quanto lhes faltava!
 Par'cia inverno; e eu, a viva alfombra,
 só pude imaginá-la a tua sombra.



William Shakespeare
Reino Unido, 1564-1616
Trad. Luiz Cardim
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim
photo by Google

15 de dezembro de 2013

Soneto XVIII: William Shakespeare


Comparar-te a um dia de Verão?
Tu és mais formoso e mais ameno:
Ventoso o mês de Maio e não sereno
E o Estio é de curta duração.
Ora quente como brasa o sol fulgura,
Ora se lhe escurece a tez dourada,
Quem é formosa perde a formosura
Plo destino ou natura despojada.
Mas teu eterno V’rão não perde o brilho,
Nem perde a beleza que é só tua:
Da morte nunca seguirás o trilho –
Teu ser meu verso eterno perpetua:
Enquanto olhos houver que o possam ler
Este soneto te fará viver.

William Shakespeare
(England 1564-1616)
in Os dias do Amor

photo by Google

3 de março de 2012

Desgraçado aos olhos dos homens: William Shakespeare

Desgraçado aos olhos dos homens, e de Fortuna,
Solitário choro meu triste estado,
E o meu grito inútil o céu surdo importuna,
e olho para mim maldigo o fado.
Alguém mais temeroso gostava de ser,
coleccionar amigos, ser bem parecido.
A este invejo a arte, áquele o poder,
Quanto mais me agrada mais fico desiludido.
Perante estes pensamentos, quase que me abomino
Felizmente penso em ti - é como a cotovia,
Que ao romper do dia se levanta da terra sombria,
Ante as portas do céu, entoo um hino.
Pois me traz tal riqueza a tua recordação,
Que nem com um rei trocaria a minha condição.

William Shakespeare
(England 1564-1616)

4 de janeiro de 2012

William Shakespeare: Quando penso em você


Quando penso em você me sinto flutuar,
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, morar no céu...

Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.

Lembrando dos momentos
em que juntos nosso amor se conjugava
em uma só pessoa, nós ...

É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...

A delicadeza de tuas palavras
contrasta com a imensidão do teu sentimento.
Meu ciúme se abranda com tuas juras
e promessas de amor eterno.

A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar
a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...

E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...

Tudo isso acontece porque amo e penso em você...



William Shakespeare
(England 1564-1616)
photo by Google

William Shakespeare: Eu aprendi


Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;

Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta
permitindo que essa pessoa continue a magoar você;

Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
(Boa noite , Amor )

William Shakespeare
(England 1564-1616)

28 de dezembro de 2011

William Shakespeare: Soneto LXXXVIII


Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem. 


Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória. 


Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício, 


Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.


William Shakespeare
(England 1564-1616)

26 de dezembro de 2011

Não tem olhos solares, meu amor: William Shakespeare


Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.

Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.

Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,


Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.



William Shakespeare
(England 1564-1616)
photo by Google

23 de dezembro de 2011

De almas sinceras a união sincera


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.



William Sheakespeare
(England 1564-1616)
photo by Google

12 de dezembro de 2011

William Shakespeare: Ao seu amor

Poderei comparar-te a um dia de Verão?
Mas tu és mais suave e muito mais formosa;
Em Maio a ventania sacode os botões de rosa
E o estio tem apenas uma curta duração;
O fogo celeste queima-nos com o seu ardor,
Ou o seu brilho dourado perde o seu fulgor;
E todas as Formosas um dia perdem a beleza
Por acaso, ou pelas mudanças da natureza.
Mas o teu eterno Verão não se desvanecerá
Nem a beleza de que és devedora ele perderá;
Nem a morte de ti na sombra se há-de gabar,
Quando nos desígnios eternos a tua vez chegar.
Enquanto os homens viverem, enquanto os olhos virem,
Isto não tem fim e é isto que te dá a vida.

William Shakespeare
(England 1524-1616)

6 de novembro de 2011

William Shakespeare: Soneto 53


De que substância foste modelado,
Se com mil vultos o teu vulto medes?
Tantas sombras difundes, enfeixado
Num ser que as prende, e a todas sobre excedes;
Adônis mesmo segue o teu modelo
Em vã, esmaecida imitação;
A face helênica onde pousa o belo
Ganhou em ti maior coloração;
A primavera é cópia desta forma,
A plenitude és tu, em que consiste
O ver que toda graça se transforma
No teu reflexo em tudo quanto existe:
Qualquer beleza externa te revela
Que a alma fiel em ti acha mais bela.



William Shakespeare
(England 1564-1616)
photo by Google