Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

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21 de abril de 2013

Mesmo agora recordo como era... : Poemas eróticos da India antiga

Mesmo agora recordo como era implacável
Na batalha sem armas do amor
Como nós apesar de enlaçados
Nos conseguíamos levantar e deitar
Sem o apoio das mãos     Recordo
O sangue das mordeduras nos seus lábios
E os arranhões nas coxas


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.

Anónimo, Mesmo agora recordo o seu ar...



Mesmo agora recordo o seu ar agastado
Perante a iminência da minha partida
A impaciência com que em silêncio
Me oferecia os lábios. Abraçava-a
E caía a seus pés como um escravo


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.
in Poemas Eróticos da India Antiga
Editor: Assirio & Alvim
photo by Google

Aonde vais na noite escura? : Poemas eróticos da India antiga

- Aonde vais na noite escura?
- Ao encontro daquele por quem o meu coração anseia
- E sendo formosa e jovem e insegura
não tens medo de ir sozinha?
- Sozinha? Não     Armado de arco e flechas
O amor faz-me companhia


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.

Embora não tenham limites as minhas... : Poemas eróticos da India antiga

Embora não tenham limites as minhas conquistas
Para mim há apenas uma cidade
E nessa cidade um palácio
E nesse palácio um quarto
E nesse quarto uma cama
E nessa cama uma mulher
Adormecida
A jóia mais valiosa
De toda a minha coroa


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.

18 de abril de 2013

Mesmo agora não consigo esquecê-la : Poemas eróticos da India antiga

Mesmo agora    não consigo esquecê-la
Ao acordar curvando-se perante o altar
Os seios como cântaros cheios de néctar
O corpo com adornos coloridos


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.

16 de março de 2013

Neste vão e flutuante mundo: Poemas eróticos da India antiga


Neste vão e flutuante mundo
O que resta a um homem?
Pode dedicar-se à oração
Mas se isso porventura não resulta
O melhor é refugiar-se entre os seios duma mulher
Acariciar as suas coxas quentes
E possuir o que entre elas se oculta

Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo a beleza doirada: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo a beleza doirada
Do seu corpo sugerindo fadiga
Para não parecer impudica
Perturbada pelos meus beijos apaixonados
E pelo contacto das nossas coxas
Ela deixava     como uma planta por onde
Sobe a seiva     que o desejo a possuísse

Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora sacrificaria tudo: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     sacrificaria tudo
Se me fosses permitido regressar
A esse santuário de prazer
Perfumado com essência de flores de lótus
Húmido ainda de esperma     perante
O qual se prostrou o deus do amor


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora vejo os seus olhos: Poemas eróticos da India antiga

Mesmo agora     vejo os seus olhos
Escurecidos pelo antimónio
Os lábios ardentes     os brincos
Agitando-se nas orelhas     o corpo
Curvado devido ao peso dos seios
Sem que eu a possa possuir

Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo a embriaguez: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo a embriaguez
Causada pelo mel que a minha língua
Sorvia da sua boca     e as marcas das
Minhas unhas nos seus seios eriçados de prazer
Que ela guardava como um tesouro


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo o seu púbis: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo o seu púbis
Os lábios dessa vulva que me protegiam
Da  insolação do desejo     Veneno
Na separação momentânea     no reencontro
Uma taça cheia de néctar

Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo a beleza: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo a beleza
Incomparável do corpo da minha amada
Recordo-a excitada pelas flechas
Daquele cujas armas são flores
A sua vulva     a taça perfeita
Para provar o néctar da paixão


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora que a morte se aproxima: Poemas eróticos da India antiga



Mesmo agora     que a morte se aproxima
Sonho com os seus olhos cerrados
Depois duma noite de prazer     com os seus membros
Enfraquecidos     com a desordem das vestes e dos cabelos
Cisne real no jardim de lótus da paixão
Possuir-me-ás nas minhas sucessivas reincarnações


 Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo a minha amada: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo a minha amada
Exausta depois duma noite de prazer
O discurso incoerente cheio de súplicas e rogos
As palavras que pronunciava entre suspiros


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo como sorria: Poemas eróticos India antiga


Mesmo agora     recordo como sorria
Curvada devido ao peso dos seios
O colar de pérolas iluminando-lhe o pescoço
Semelhante ao estandarte florido e resplandecente
Desse deus cujas armas são flores
Flutuando sobre os montes da paixão

 Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo como: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo como
Na intimidade desatava os cabelos
E deixava cair as grinaldas de flores
Recordo esses lábios doces como o néctar
O olhar fremente e o colar de pérolas
Que lhe acariciava os mamilos


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo esses olhos inquietos: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo esses olhos inquietos
Enegrecidos pelo colírio     as nádegas
E os seios firmes     os braceletes
De ouro nos seus braços     as pequenas
Pérolas dos dentes com manchas de carmim
As flores que ornavam os seus cabelos

Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo aquela manhã: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora      recordo aquela manhã
Em que lhe despi o sari     e descobri
Nas coxas polvilhadas de purpurina
As marcas das minhas unhas     e
Como cobrindo essas marcas com as maõs
Se afastou num acesso de pudor


Anónimo
(India antiga)
Séc. IV a.c.

Mesmo agora recordo os seus olhos: Poemas eróticos da India antiga

Mesmo agora     recordo os seus olhos
Suplicando que a possuísse     os membros
Trémulos da intensidade do prazer
Recordo por detrás do véu caído
As curvas voluptuosas dos seios
E nos lábios as marcas dos meus dentes


Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.

15 de março de 2013

Mesmo agora recordo a minha amada: Poemas eróticos da India antiga


Mesmo agora     recordo a minha amada
Cavalgando por cima de mim
O seu esforço de vaivém     constelava
A sua pele de cachos de pérolas
Gotas claras e espessas de suor
Recordo o pendente de ouro
Roçando as suas maças do rosto

Anónimo
India antiga
Séc. IV a.c.