Carta de apresentação
O SECRETO MILAGRE DA POESIA
Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.
Excerto
in Rosa do Mundo
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21 de fevereiro de 2015
Francisco Brines: A Despedida da luz
Desce, luz, a meus olhos
descansa teu cansaço
neles tão fatigados,
alivia-me e acaba-te
no amor do homem.
Antes que se dilate
a sombra dessa noite
em que tens que morrer
e eu tenho de morrer,
levanta-me teu lenço
que, por trás das montanhas,
é um fogo de rosas,
Vem dizer-me que a vida
foi dia longo e fiel,
que de meu amor soube,
e amarei este cansaço.
Francisco Brines
Espanha (Oliva, Valência) 1932
in A Última Costa
Editor: Assirio & Alvim
photo by google
3 de maio de 2014
Francisco Brines: A Piedade do tempo
Em que escuro recanto do tempo que morreu
vivem ainda,
a arder, aquelas coxas?
Dão luz ainda
a estes olhos tão velhos e enganados,
que voltam agora a ser o milagre que foram:
desejo de uma carne, e a alegria
do que não se nega.
A vida é o naufrágio de uma obstinada imagem
que já nunca saberemos se existiu,
pois só pertence a um lugar extinto.
Francisco Brines
Espanha (Oliva,Valência) 1932
in A Última Costa
Editor: Assirio & Alvim
photo by google
vivem ainda,
a arder, aquelas coxas?
Dão luz ainda
a estes olhos tão velhos e enganados,
que voltam agora a ser o milagre que foram:
desejo de uma carne, e a alegria
do que não se nega.
A vida é o naufrágio de uma obstinada imagem
que já nunca saberemos se existiu,
pois só pertence a um lugar extinto.
Francisco Brines
Espanha (Oliva,Valência) 1932
in A Última Costa
Editor: Assirio & Alvim
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Francisco Brines: Azul
Busquei o azul, perdi a juventude.
Os corpos, como ondas, rompiam-se
em areias desertas. Houve amor
no recanto florido de um jardim
fechado. E quis achar palavras
que alguém pudesse amar, e elas valeram-me.
Estou a chegar ao fim. Cega meus olhos
um desolado azul iluminado.
Francisco Brines
Espanha (Oliva, Valência) 1932
in A Última Costa
Editor: Assirio & :Alvim
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