Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Quevedo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Quevedo. Mostrar todas as mensagens

13 de janeiro de 2014

Amor Constante Para Além da Morte: Francisco Quevedo



Amor Constante Para Além da Morte
Pode fechar-me os olhos a derradeira
sombra que de mim leva o branco dia,
e livrar de tudo o que prendia
a alma ansiosa, a hora que se abeira;
mas não deixará na margem da ribeira
a memória dos sítios onde ardia:
minha chama nada na água fria
e a dura lei enfrenta altaneira.
Alma de que todo um deus foi prisão,
veias onde tanto fogo foi gerado,
medulas em gloriosa combustão:
o corpo deixará, não seu cuidado;
cinzas hão-de ser, mas com coração;
serão pó, sim, mas pó apaixonado.



Francisco Quevedo
(Espanha 1580-1645)
in Os dias do Amor
photo by Google

6 de janeiro de 2014

Amante agradecido ás delícias mentirosas de um sonho: Francisco Quevedo

     Ai, Floralva! Sonhei... Devo dizê-lo?
Sim, pois que o sonho foi: que te gozava.
     Quem, senão um amante que sonhava,
juntara a tanto inferno um céu tão belo?
     Meu fogo com a tua neve e o teu gelo
- flechas que opostas tem na sua aljava -
juntava Amor, e honesto ele as juntava,
qual a minha adoração em seu desvelo.
     Disse eu: "Queria o amor e minha sorte
que não durma eu jamais, se estar desperto;
se durmo, siga o sono, de tão forte."
     Mas despertei do doce desconcerto;
e vi que vivo estive com a morte,
e morto estava com a vida, é certo.

Francisco Quevedo
Espanha 1580-1645
in Antologia Poética - Assirio & Alvim
photo by Google