Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

25 de maio de 2022

Waly Salomão, Cátedra de Literatura Comparada

 


E como eu palmilhasse tesudamente
(sento-lhe a vara e a chula língua afiada,
salpico-lhe saliva, baba, porra)
     a estrada, pedregosa, do mamilo
     e, pentelhuda, do monte de Vênus...



Waly Salomão
Brasil, 1943-2003
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Cacaso, Busto renascentista

 



quem vê minha namorada vestida
nem de longe imagina o corpo que ela tem
sua barriga é a praça onde guerreiros se reconciliam
delicadamente seus seios narram façanhas inenarráveis
em versos como estes e quem 
diria ser possuidora de tão belas omoplatas?
feliz de mim que frequento amiúde e quando posso a buceta dela.


Cacaso
Brasil, 1944-1987
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Maria Lúcia dal Farra, A manga



Ela está sobre a mesa -
nua
e fechada em si
como uma urna.
O elegante perfil convoca outras formas
para torná-la única:
pera, pêssego, abricô - o coração, afinal,
de onde irrigam a candura
e o aceno para afagá-la com duas mãos.

De modo que a boca quase treme
(hesitante entre beijá-la e mordê-la)
quando dela se achega
sem saber se se entrega ao domínio do cheiro
o à volúpia de lambê-la -
mesmo antes de (com unhas)
fender-lhe a pele vermelho-verde.

Ah, sulcar a carne macia com o arado dos dentes
deixando que nele se enrosquem os cabelos
que a fruta
(aflita)
não pode conter diante do torvelinho dos sentidos -
do cataclismo que o desejo encena
no afã de conhecer-lhe o rosto!

Sôfrego, salivo abocanhando a polpa
(esse manancial de sucos que me lambuza,
espirra, goteja e baba)
que chupo exaurindo a fonte dos deleites
dessa mulher que
por fim consentiu
(pudica e fogosa)
de a mim se entregar.


Maria Lúcia dal Farra
Brasil, 1944
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Paulo Leminski, Sossegue coração



 sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa


Paulo Leminski
Brasil, 1944-1989
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Antonio Cicero, Esse amante

 















Não é exatamente que esse amante
pretenda confundir-se com a amada;
o que acontece é que, no mesmo instante
em que, lúcido e lúbrico, prepara,
com circunspecto engenho e arte, a entrega
da mulher, ele saboreia o gesto,
gemido ou tremor que observa, e interpreta
cada sinal de volúpia nos termos
da sua própria carne. Discernir-se
dela, ao olhá-la, e achá-la em si são lados
reversos da mesma moeda. Ei-lo
que, com o fim dos seus anseios nos seios
das suas mãos, vê-se compenetrado
e entregue a um gozo que quiçá se finge.


Antonio Cicero
Brasil, 1945
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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13 de maio de 2022

Alberto de Oliveira, O sonho de Berta




Soltando o cabelo de ouro
Ao deitar-se, ondeante e farto,
Viu Berta lhe entrar no quarto
Um besouro.

- Já agora, exclamara ela,
Não me levanto, é capricho,
Para mostrar a este bicho
A janela;

Nem da toalha um açoite
Farei contra este besouro;
E sem mais, senhor agouro,
Boa noite!

Despiu-se. Cândida e lisa,
Quente inda de sua pele,
Tirou mesmo diante dele
A camisa.



Deitou-se. É um mimo de Berta
O corpo, que a vista inflama,
Assim como está na cama.
Descoberta.

Cerra os olhos. Entretanto,
O besouro, tonto, inquieto,
Zumbe da alcova no teto
Zumbe a um canto.

Ao pé do espelho inclinado
Zumbe, zumbe na parede,
E de Berta agora, vede,
Zumbe ao lado.

Ai dela! - Noite sombria,
As tardas horas apressa!
A luz da aurora apareça!
Venha o dia!

Esta, volta-se ofegante
Berta insone, a cada instante,
De assustada

Pobre Berta! enfim sucumbe,
Desmaia...Entretanto, às voltas,
O besouro de asas soltas
Zumbe, zumbe...


II

O que Berta no seu sonho
Viu, ainda hoje, se o refere,
Negro horror à alma sugere,
De medonho.

Viu nos Braços, feio e rudo,
Tomá-la a que em vão se escapa,
Um vulto, de negra capa
De veludo.

E ao passo que a prende e a aperta
Contra o peito, lhe ouve: - Agora
Eis-te, enfim, com quem te adora,
Minha Berta!

E colar-lhe ao seio, abjetos,
Viu-lhe os bigodes compridos,
Muito duros, parecidos
Com uns espetos

Ao pé deles, que afastava
Com as mãos ambas, como louca,
Um buraco feito boca
Resmungava.

Quis gritar, quis pela santa
Chamar a quem sempre reza;
Mas a voz ficou-lhe presa
Na garganta;

Quis fugir... Um movimento
Ao lasso corpo cativo
Imprimiu, rápido, vivo,
Num movimento...


Acordou. Clara e modesta,
Brilhava na alcova linda
Uma réstea de luz vinda
De uma fresta.

E erguendo-se, em vago anseio,
Achou Berta, espavorida,
Um besouro, já sem vida,
junto ao seio.



Alberto de Oliveira
Brasil, 1857-1937
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Castro Alves, Boa Noite



Boa Noite

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora,
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite Maria, É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite!... E tu dizes: - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
- Mar de amor onde vagam meus desejos.

Julieta do céu! Ouve... a calhandra
Já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
- Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derramo nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
«É noite ainda em teu cabelo preto...»

É noite ainda! Brilha na cambraia
- Desmanchado o roupão, a espádua nua - 
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...

É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
- São as asas do arcanjo dos amores.

A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doido afago de meus lábios mornos.

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!

Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Marion! Marion!...É noite ainda
Que importa os raios de uma nova aurora?!...

Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
- Boa noite! - formosa Consuelo!...


Castro Alves
Brasil (Bahia) 1847-1871
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Lua de Papel
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12 de maio de 2022

Rupi Kaur, a maior parte da minha vida


a maior parte da minha vida passei-a
contigo, nós as duas a tocarmo-nos
pele com pele
as nossas noites juntas
e às vezes dias
pegaste em mim quando os meus membros se recusaram a fazê-lo
quando estava tão doente que não me conseguia mexer
nunca te cansaste do meu peso
nem uma só vez te queixaste 
foste testemunha de todos os meus sonhos
do meu sexo
da minha escrita
do meu choro
todos os atos vulneráveis da minha vida
foi contigo
as duas a rir à gargalhada
e quando louca por confiar num louco
fiz amor em cima de ti
deixei-te por uns dias só
para voltar de mãos vazias
sempre me recebeste
quando o sono me abandonava
ficávamos acordadas juntas
tu és o aconchego da minha vida
o meu altar
confessional
menina tornei-me mulher em cima de ti
e no final
serás tu - velha amiga
que me entregarás à morte bem descansada

- não há lugar mais intimo do que uma cama


Rupi Kaur
Índia, 1992
in corpo casa
Editor: Lua de Papel
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Rupi Kaur, os homens como ele...


às vezes
amo-te significa
que quero amar-te

às vezes
amo-te significa
fico mais um bocado

às vezes
amo-te significa
não sei ir-me embora

às vezes
amo-te significa
não tenho mais para onde ir


Rupi Kaur
Índia, 1992
in corpo casa
Editor: Lua de Papel
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Rupi Kaur, de cada vez que te...

 


de cada vez que te mostrava um pedaço do céu
era um aviso
cada passeio que dávamos
pelo jardim da minha vida
todas as flores que floriam para ti
os pavões que cantavam o teu nome
eram um sinal
contudo
depois de veres toda a magia
bateste com a cabeça e perdeste-a
saíste e dispersaste-te pela cidade
a pensar que se tinhas a sorte de me ter experimentado
conseguirias pôr as mãos em coisa melhor
mas tudo tinha a cor do tédio em comparação
agora voltaste
corpo derramado pelo chão fora
a implorar
que eu te esmague com as minhas coxas
que te puxe para as minhas ancas
que te leve ao céu com a minha cona
comigo tiveste a maior viagem da tua vida
comigo tiveste visões
de cada vez que te mostrava um pedaço do céu
cada passeio que demos no jardim da minha vida
todas as flores que se abriam para ti
os pavões que cantavam o teu nome
eram um sinal de tudo o que perderias
se me traísses

- consequências



Rupi Kaur
Índia, 1992
in corpo casa
Editor: Lua de Papel
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Rupi Kaur, tenho medo de não...

 


tenho medo de não encontrar aquele que assim que me vir
correrá para me respirar
tenho medo de parecer demasiado desesperada 
tenho medo de ser trocada
por uma mulher mais brilhante
mais impressionante
mais eu em todos os sentidos
aterrorizada de que isso confirme o que já sei
que não sou boa o suficiente para fazer alguém ficar
onde está o fósforo aceso que me pegará fogo
e se já me cruzei com ele
e estraguei tudo
quem me amará o suficiente
para se dar ao trabalho de se aproximar
de alguém tão inconsciente
e se aquele que quero
é alguém que me toca e foge
e se aquele que não foge
é alguém que não suporto que me toque
será que será sempre má altura
será que vou ter a certeza
será que algum dia vou assentar
será que vou ficar sozinha para sempre


Rupi Kaur
Índia, 1992
in corpo casa
Editor: Lua de Papel
photo by Google 

6 de maio de 2022

Paulo Henriques Britto, Bonbonniêre


 
A seletividade da memória -
a cor exata da pele, a textura,
o odor de cada côncavo e orifício,
lábio, a língua, o dente, o plexo

solar, a sola do pé, o suor e a
saliva,. a coxa arisca, a dobra escura,
o beijo salobro, o sabor difícil,
a carne assombrada, o esperma perplexo

- falsa perfeição, mero artifício
do tempo, a desmaiar todos os tons
do que destoaria do desejo

como um menino a retirar sem pejo
da caixa que lhe deram os bombons
de que ele abre mão sem nenhum sacrifício.



Paulo Henriques Britto
Brasil, 1951
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Ana Cristina Cesar, Anônimo


 
Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de 
Concentração com Difusão lado esquerdo de 
quem vem, jornal na mão, discreta.



Ana Cristina Cesar
Brasil, 1952-1983
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Ana Cristina Cesar, Arpejos



 1
Acordei com coceira no hímen. No bidê com espelhinho
examinei o local. Não surpreendi indícios de moléstia. Meus
olhos leigos na certa não percebem que um rouge a mais tem
significado a mais. Passei pomada branca até que a pele (rugosa
e murcha) ficasse brilhante. Com essa murcharam igualmente
meus projetos de ir de bicicleta à ponta do Arpoador.
O selim poderia reativara irritação. Em vez decidi me dedicar
à leitura.

2
Ontem na recepção virei inadvertidamente a cabeça contra o
beijo de saudação de Antônia. Senti na nuca o bafo seco do susto.
Não havia como desfazer o engano. Sorrimos o resto da noite.
Falo o tempo todo em mim. Não deixo Antônia abrir sua boca
de lagarta beijando para sempre o ar. Na saída nos beijamos de
acordo dos dois lados. Aguardo crise aguda de remorsos.

3
A crise parece controlada. Passo o dia a recordar o gesto involuntário.
Represento a cena ao espelho. Viro o rosto à minha própria
imagem sequiosa. Depois me volto, procuro nos olhos dela signos
de decepção. Mas Antônia continuaria inexorável. 
Saio depois de tantos ensaios. O movimento das rodas me desanuvia
os tendões duros. Os navios me iluminam. 
Pedalo de maneira insensata.



Ana Cristina Cesar
Brasil, 1952-1983
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Fernando Paixão, Cantiga D' amiga

 


Ah, tua chegada ao meu corpo - os dedos
são remos aéreos em bordo cego.
Roçam-me o ventre num brindar de aedo
e breve me vencem os teus chamegos.

De que me vale dizer ao desejo:
não!? Se a própria mão escreve que sim 
e na pele recebo o teu cortejo
igual a uma cortesã carmesim.

Tuas unhas. Louca. Quero ser loba.
Inteiro bardo no centro das curvas
ocupa-me a lua no vão das pernas.
Quero-te em mim erguido em asas:

voooooooooa!

E que ao venceres a distância pouca
quero ser loba. Tuas unhas. Loba.




Fernando Paixão
Brasil, 1955
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Arnaldo Antunes, Trepar é o melhor remédio

 



trepar é o melhor remédio pra tesão
o tato mais experiente é a palma da mão
se não consegue fazer sexo vê televisão
o olho enxerga o que deseja e o que não
uns comem outros fodem uns cometem outros dão



Arnaldo Antunes
Brasil, 1960
in Antologia da Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Carlito Azevedo, Sob o duplo incêndio

 

Sob o duplo incêndio
da lua e do néon,
sobre um parapeito
de mármore, entre duas cortinas
jogadas pela brisa marinha
que ao mesmo tempo às suas 
coxas e costas dispensava
um hálito incontínuo,
inundando de rubro o estrito
perímetro de seu jarro e cerâmica
e contrastando imemorial com a 
transitoriedade de tudo ali
hotel, amor, dia, noite, carros,
uma flor alheia a símbolos
atingiu o seu ponto máximo
de beleza.


Carlito Azevedo
Brasil, 1961
in Antologia da poesia erótica brasileira
Editor: Tinta da China
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Laurindo Rabelo, Décima

 

Por aqui uma só vez
Não passo por esta rua,
Que não veja esta perua,
Na porta com dois ou três;
Que fodas não dá no mês
Aquele cono tão quente!
E chega a ser tão potente
A maldita da cachorra,
Que no cu sempre tem porra,
Na porta sempre tem gente!



Laurindo Rabelo
Brasil, Rio de Janeiro, 1826-1864
in Antologia Poesia Erótica Brasileira
Editor: Tinta da China
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Laurindo Rabelo, Pode apalpar, pode ver

 


MOTE

Pode apalpar, pode ver,
Das coxinhas pode usar,
Por fora quando quiser,
Dentro não, que hei de gritar!



GLOSA

- Meu benzinho, que desgosto
Me está causando você;
Sua boquinha me dê,
Para mim volte seu rosto.
  - Eu consinto no seu gosto,
Porém não há de meter,
E se deseja saber
Se ainda tenho cabaço,
Com todo o desembaraço
Pode apalpar, pode ver.

- Aqui está! Meta o dedinho
Na cavidade do centro;
Não me carregue pra dentro
Que me magoa o coninho;
Não esteja tão tristezinho
Por eu não me franquear;
Você me quer desonrar!
Olhe, eu lhe faço um partido,
Se é pra ser meu marido,
Das coxinhas pode usar.



Laurindo Rabelo
Brasil, Rio de Janeiro, 1826-1864
in Antologia da poesia erótica brasileira
Editor: Tinta da China
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Laurindo Rabelo, A coisa pode encostar

 


A coisa pode encostar
Por fora, não tenho susto;
E, se quer prazer mais justo,
Pode os peitinhos chupar.
Em tudo deixo pegar,
Mas só faça o que eu disser,
Pois se minha mãe souber
Que você... Ai! Que dor!
Ai!... dentro não meu amor!...
Por fora, quanto quiser!

- Já vai você, minha vida,
Sua coisinha metendo...
A pomba me está doendo...
Eu já me sinto ferida;
não me queira perdida...
Vá pedir-me pra casar.
Meu Deus!... E ele a teimar...
Olhe que eu me vou embora...
Se quiser venha-se fora,
Dentro não, que hei de gritar!



Laurindo Rabelo
Brasil, Rio de Janeiro, 1826-1864
in Antologia da poesia erótica brasileira
Editor: Tinta da China
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5 de maio de 2022

Rupi Kaur, Dantes chorava porque

 
dantes chorava
porque não conseguia encontrar
um homem bom que me amasse
agora encontrei um e
ele não me chega
e os outros estavam sempre
prontos para se ir embora

-era isso que os tornava atraentes



Rupi Kaur
Índia 1992
in corpo casa
Editor: Lua de Papel
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Rupi Kaur, Num mundo que considera que

 

num mundo que considera

que o meu corpo não é meu

dar-me prazer

é um ato de autopreservação

quando me sinto desligada

conecto-me com o meu centro

toque a toque

retiro-me para dentro de mim

no orgasmo



Rupi Kaur

Índia 1992

in corpo casa

Editor: Lua de Papel

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Rupi Kaur, Quero que apagues tudo

 

quero que apagues

tudo o que sabes sobre o amor

e comeces com uma palavra

gentileza

dá-lhe a tua gentileza

e que ele seja gentil contigo

sejam dois pilares

iguais no vosso amor

e conseguirão carregar impérios aos vossos ombros



Rupi Kaur

Índia 1992

in corpo casa

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Rupi Kaur, Enrolo as minhas pernas sagradas

 


enrolo as minhas pernas sagradas

na sua cabeça pesada

e deixo que a língua dele nade

a caminho da salvação


-batizar



Rupi Kaur

Índia 1992

in corpo casa

Editor: Lua de Papel

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Rupi Kaur, O meu corpo está excitado por te desejar

 


o meu corpo está excitado por te desejar

que já estou molhada quando despimos a roupa

quero aquele amor que

me transporta

para outro reino

quero-te tão profundamente

que entramos no mundo do espírito

vamos da doçura à brutalidade

quero olhos nos olhos

afasta as minhas pernas

cada uma para seu lado

e vê com os teus dedos

quero que toques a minha alma

com a ponta da tua alma

quero sair deste quarto

diferentes pessoas


-consegues?



Rupi Kaur

Índia 1992

in corpo casa

Editor: Lua de Papel