Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

30 de novembro de 2014

Aluysio Mendonça Sampaio: O Relógio

No silêncio da noite insone
o relógio é o coração do tempo
pulsando.

Som metálico incessante,
do átimo que passa,
eis a cadência marcial
para o nada.

Belo é o fluir da vida
o desabrochar da flor
pletora de luz
ao despontar de sóis.

No ventre da vida
germina a morte
saliente, constante
lâmina cortante do tempo.

Pudéssemos parar o coração das eras!
O nosso instante - eterno.
O nosso amor - perene.
Ah! Maldito relógio
consciência do efémero
por que não cessas de bater
o ritmo monótono monocorde
do minuto que passa?

Deixe-me ficar no instante
- minha eternidade.


Aluysio Mendonça Sampaio
Brasil (Sergipe) 1926
          São Paulo 2008
in Antologia de Poetas Brasileiros
Seleção: Mariazinha Congílio
Editor: Universitária Editora
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