Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

6 de maio de 2013

Amor como em casa : Manuel António Pina



Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


Manuel António Pina
(Portugal 1943-2012)
in Todas as Palavras
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Atropelamento e fuga : Manuel António Pina



Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!


Manuel António Pina
(Portugal 1943-2012)
in Todas as Palavras
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5 de maio de 2013

Último soneto : Mário Sá-Carneiro


Que rosas fugitivas foste ali
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?...


Mário de Sá-Carneiro
(Portugal 1890-1916)
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Era preciso mais do que silêncio : Manuel António Pina


Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!

Manuel António Pina
(Portugal 1943-2012)
in Todas as Palavras
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Al Berto: dos cachalotes...


















dos cachalotes, é o espermacete que me embriaga a existência o olor quase insuportável de tenebrosas orquídeas bordadas aos alicerces ancestrais da casa a vegetação meticulosa, com suas seivas lentas, 
onde o corpo ou um inocente desejo se escondem os tanques lavam roupa e os répteis esquivos parecem devastar o sonho inundando-me a boca com densos venenos nas pálpebras, interrompe o musgo seu minúsculo crescimento respiram bolores enquanto as polposas flores chamam a si as zelosas abelhas
     
apesar de tudo o corpo prepara-se para o grito é-me dolorosa a memória daquele lugar de água luminosa só os dedos sujos de terra e visco aprenderam a peregrinar sobre os intermináveis mapas percorreram sobre a mesa 
a rota dalgum albatroz perdido espremeram frutos, que têm sabor a noite e trazem demorados amores
     
lembro-me, facilmente esquecíamos os iridescentes berlindes os tímidos mas rigorosos jogos de areia
nenhum vento veio perturbar o sábio trabalho das mãos acendia-se um fogo no centro daquela nova-idade, descobria-se um tesouro em forma de rosto, estou certo de que nos amámos e para o interior da terra descendo
há um segredo e uma casa velhíssima, uma porta de alvenaria ou o que resta de um atrevido espelho

a fuga é ainda possível, dizias
estávamos sentados frente ao lume, falávamos baixo
uma salamandra lisérgica soltava-se de manhã, um vulcão extinto
evocava outra longínqua solidão olhávamos o fogo  e no mapa dos corpos
tínhamos ainda toda a Samatra por descobrir


Al Berto
(Portugal 1948-1997)
In O Medo
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Esta noite : Orietta Lozano


Como doem os ventos esta noite
quando ao longe os tambores da guerra
se acariciam tristemente e pedaços de céu
se desprendem apodrecidos, cansados.
Esta noite no quarto com aroma de pêssego
os amantes sussurram como soldados feridos
e lembram o seu primeiro beijo como uma bala suave.
Nos gastos divãs, os avós de riso lânguido
esperam apenas a fria carícia da morte
e entretêm, tecendo, as suas horas de recordações.
A noite avança como um grande deus que enfeitiça no medo
mais além dos bosques e das sombrias armadilhas,
mais além do selvagem amor da fêmea humilhada.
Nesta noite de olhar de lobo
como dói o silêncio que repousa como rapariga febril
por trás dos vidros das casas.

Orietta Lozano
(Colombia 1956)
in Um país que sonha - cem anos de poesia colombiana,




Al Berto: diário de uma paixão

Procuro o teu perfume, teu ombro, tua mão no respirar momo das casas.
Revolvo-me no branco dos lencóis, como o mar se revolve contra as parades, em maré viva.
O sopro de teu sono humedece-me o peito Manhã confusa nevoenta luz
onde se quebra o pesadelo. Procuro-te, peixe alucinante, no fundo lodoso de mim.
O dia nasce com um travo de sol frio, e dum lado para o outro, dentro do exíguo quarto.
O ténue tecido das cortinas separa o sonho vivido em ti da cidade há muito acordada.
Prolongo esse instante de ilusão, espio o teu corpo desesperadamente nu.
No espelho já não sei quem sou. Adivinho-te, paro o olhar naqueles olhos-reflexo
para me lembrar dos teus. Dentro do espelho apareceu então a lívida pele do tempo
que nos separou. Uma flor áspera cresce nos lábios, exterminadora. E na manhã mole
das flores minerais, sem forças nem esperma, meu corpo aproxima-se do mortal eclipse.
Mil partículas fosforescentes explodem convulsivas. Convulsiva borboleta do cio.
De novo o teu perfume de essência rara, álcoois nocturnos, mão, minha mão sozinha e nua
prolongando-se em forma de caroço. Palpável zinabre absorvido em espasmo lúcido, furioso.
Latejando no estilhaço cristalino da paixão, segregado no silêncio iminente da morte.
Desço as escadas, abro a porta com a solidão terrível de sonâmbulo na boca.
Compro o jornal, cigarros, o céu abre-se gelado por cima da sórdida teia dos arranha-céus.
O café, estremeço num amargor que evoca novamente a tua ausência.


Al Berto
(Portugal 1948-1997)
in O Medo
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A amante do texto : Armando Silva Carvalho

Possuíra o texto, ou era possuída.
Nas naves do discurso pousara a sua alma,
doara o corpo aos nautas do poema, às efígies remotas
que vinham repetidamente chamar filosofia
aos palimpsestos.

Sentira a natureza como um coito.
Arrebatadamente, enviara palavras à procura
e guardara nos olhos a aparição repentina
das sílabas fogosas, nos lábios,
secos de ternura.

Ninguém como ela soube comparar
a música célebre dos mortos,
as vozes reptilíneas, a memória do ouro,
o desdobrar o trágico,
à mesquinhez sentada num jardim, presa do tempo,
das ondas simultâneas no mar
serigrafado.

A solenidade dos seus verbos, a extensa e alucinada
formação de estranhos signos, levaram-na
à orgia das imagens.

O útero, o gineceu da fala, o gélido ardor do corpo,
Eram a geometria do desejo
Exposto.

Todo o prazer é texto
e o tempo o mais sólido palácio
em telha vã.
Lemos nos seus versos as mais solenes núpcias
das figuras mentais.
Ela caminhava no aroma,
transmudava o espaço num andamento
de imagofagia, silábico,
exorbitante.

Chegaria mais tarde ao choro junto
à orla marítima.
Unia os animais de casa
ao silencioso planar dos abutres
sobre o relevo histórico.
E devagar, murchava com as malvas e os resíduos,
rasteira dos sentidos.

Acabou íntuido a fome do amor,
o alimento do chão, esse irmão franciscano,
a côdea de silêncio no lugar
dos soluços,
o pássaro enternecido pelo céu de água
no tanque,
a rebeldia natural das cenas redivivas,
a cancela do pátio apaixonada pelo vento,
o último sabor, o saber da dor
elementar.


Armando Silva Carvalho
(Portugal 1938)
in de Amore
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Os alunos de eros : Armando Silva Carvalho


Podia ser uma aula súbita, um verbo alicerçado
na mais sensível escola.

Filho amado
de arquétipos, cosido junto à língua
quando ela era apenas músculo, saliva ensanguentada,
coágolo de esperma.

Podia ser uma aula permanente
e derramada pelos corpos, na nervosa leitura de textos
epidérmicos,
no saber levedado entre suores e poros,
na coluna sonora que corre agora da cabeça
até às partes julgadas mais secretas,
nas palavras partidas,
escorrendo da garganta aos pés, matemáticas,
puras,
e intensamente frias.

Mas quem conjuga esse verbo,
debruçado nas terríveis frágeis varandas
do desejo?

Dizei alto, ó amantes tolhidos no medo
e na exaltação dos favores
do corpo,
a carne é mole e densa, vermelha nos seus espúrios
pigmentos de abandono.

Ah, a rosácea da dor, o peso em que recolhe
a cabeça póstuma,
descida, sugada, à nascente
Da alma.



Armando Silva Carvalho
(Portugal 1938)
in de Amore
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Depois da morte : Christina Georgina Rossetti





































As cortinas estavam meio corridas, o chão varrido
       Semeado de juncos, rosmaninho e primaveras
       espessos deitados sobre a cama em que me deito.
Pelas gelosias trepavam as sombras das heras.

Inclinou-se sobre mim, pensando que eu dormia
       E não o ouviria, mas ouvi-o dizer:
       " Pobre criança, pobre criança! " e ao afastar-se
Caíu um silêncio profundo, e percebi que chorava.

Não tocou na mortallha, não levantou a dobra
       Que me escondia a cara, nem pegou na minha mão,
           Ou me ajeitou as almofadas macias para a cabeça
              Não me amou viva, mas uma vez morta
                Teve piedade de mim. E é muito doce
Sabê-lo ainda caloroso embora estando eu fria.


Christina Georgina Rossetti
(England 1830-1894)
in Os Pré-Rafaelitas "Antologia Poética"
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Recorda: Christina Georgina Rossetti

                 





















                   Recorda-me quando eu te abandonar
Quando me for sob a terra silente,
Quando achares a minha mão ausente,
E eu, querendo partir, já não ficar.

Quando já não me puderes contar
Planos dum futuro que nos não cabe,
Recorda-me somente; tu bem sabes 
Que então será tarde para rezar.

Mas se me esqueceres entrementes
E depois recordares, não lamentes:
Pois se a corrupção te assombrar os dias

Com ideias que eu tinha na cabeça,
Melhor será que esqueças e sorrias
Do que minha memória te entristeça.

 

Christina Georgina Rosseti
(England 1830-1894)
in O mercado dos duendes e outros poemas
Assirio & Alvim
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Eco : Christina Georgina Rossetti























Vem até mim no silêncio da noite,
Vem no silêncio sussurrante de um sonho,
Vem com faces cheias e doces e olhos brilhantes
Como a luz do sol num regato,
Vem de volta em lágrimas
Oh! memória, esperança, amor de anos findos.
(...)
Mas vem até mim em sonhos, para que possa de novo viver
A minha vida verdadeira, embora fria na morte
Vem de volta para mim em sonhos, para que possa dar
Pulsar por pulsar, alento por alento:
Fala baixinho, inclina-te mais
Como há tanto tempo, meu amor, há quanto tempo.


Christina Georgina Rossetti
(England 1830-1894)
in Os Pré-Rafaelitas "Antologia Poética"
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O Sonho : John Donne



Amor querido, por nada menos que tu
Teria eu interrompido este sonho feliz:
            Era um tema
Para a razão, demasiado forte para fantasia.
Portanto, sabiamente, me acordaste; porém
O meu sonho não terminou, continuou contigo.
És tão verdadeira que bastam os pensamentos de ti
Para tornar sonhos realidade, fábulas em história.
Vem a meus braços, pois se pensaste ser melhor
Que não sonhasse todo o meu sonho, concretizemos o resto.

Como o relâmpago, ou a luz da vela,
Teus olhos, e não o teu ruído, me acordaram;
            Porém pensei que eras
(Tu que amas a verdade) um Anjo — à primeira vista.
Mas quando vi que vias o meu coração
E os meus pensamentos, para além da arte do anjo,
Como sabias do meu sonho, como sabias quando
O excesso de gozo me acordaria, e então vieste,
Devo confessar que no mínimo, seria
Ultrajante, pensar-te outra coisa que não tu.

Vindo e ficando mostrou-me que tu és tu.
Mas o levantares-te faz-me duvidar, e temo agora
            Que tu já não sejas tu.
E fraco o amor quando o medo é tão forte como ele;
Não é todo espírito puro e corajoso
Se mistura tem de medo, vergonha, ou honra.
Talvez como os fachos que, já preparados,
Os homens acendem e apagam, me trates tu:
Vieste para inflamar, partiste para voltar. Então
Sonharei esse desejo outra vez, senão desfaleceria.

John Donne
(England 1572-1631)
 in "Poemas Eróticos" Trad. Helena Barbas

Morte prematura : Elizabeth Eleonor Siddal


























Oh, não lamentes com tuas lágrimas amargas
A vida que passa a correr;
Os portões do céu vão escancarar-se
E acolher-me por fim.

Então senta-te submisso a meu lado
E observa a minha jovem vida a voar;
Então a paz solene da morte santa
Virá rápida sobre ti.

Mas vero amor, busca-me na multidão
Dos espíritos que flutuam a passar,
E eu levar-te-ei pela mão
E saberei que por fim és meu.


Elizabeth Eleonor Siddal
(England 1829-1862)
in “Os Pré-Rafaelitas” Antologia Poética
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A Proibição : John Donne


        


















  Tem cuidado ao amar-me.
Pelo menos, lembra-te que to proibi.
Não que restaure o meu pródigo desperdício
De alento e sangue, com teus suspiros e lágrimas,
Tornando-me para ti o que foste para mim,
Mas tão grande prazer desgasta a nossa vida duma vez.
Para evitar que teu amor por minha morte seja frustrado,
Se me amas, tem cuidado ao amar-me.

          Tem cuidado ao odiar-me,
E com os excessos do triunfo na vitória,
Ou tornar-me-ei o meu próprio executor,
E do ódio com igual ódio me vingarei.
Mas tu perderás a pose do conquistador,
Se eu, a tua conquista, perecer pelo teu ódio:
Então, para evitar que, reduzido a nada, eu te diminua,
Se tu me odeias, tem cuidado ao odiar-me.

          Contudo, ama-me e odeia-me também.
Assim os extremos não farão o trabalho um do outro:
Ama-me, para que possa morrer do modo mais doce;
Odeia-me, pois teu amor é excessivo para mim;
Ou deixa que ambos, eles e não eu, se corrompam
Para que, vivo, eu seja teu palco e não teu triunfo.
Então, para que o teu amor, ódio, e a mim, não destruas,
Oh, deixa-me viver, mas ama-me e odeia-me também.

John Donne
(England 1572-1631)
 in "Poemas Eróticos" Trad. Helena Barbas

Algumas reflexões sobre a mulher : Eugénio de Andrade



Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.

São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.

Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.


Eugénio de Andrade
(Portugal 1923-2005)
In Poesia
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A Isca : John Donne

Vem viver comigo, sê o meu amor
E alguns novos prazeres provaremos
De areias douradas e regatos de cristal
Com linhas de seda e anzóis de prata.
 
Aí o rio correrá murmurando, aquecido
Mais por teus olhos do que pelo sol;
E aí os peixes enamorados ficarão
Suplicando a si próprios poder trair.

Quando tu nadares nesse banho de vida
Cada peixe, dos que todos os canais possuem,
Nadará amorosamente para ti,
Mais feliz por te apanhar, que tu a ele.

Se, sendo vista assim, fores censurada
Pelo Sol, ou Lua, a ambos eclipsarás;
E se me for dada licença para olhar
Dispensarei as suas luzes, tendo-te a ti.

Deixa que outros gelem com canas de pesca
E cortem as suas pernas em conchas e algas;
Ou traiçoeiramente cerquem os pobres peixes
Com engodos sufocantes, ou redes de calado.

Deixa que rudes e ousadas mãos, do ninho limoso
Arranquem os cardumes acamados em baixios;
Ou que traidores curiosos, com moscas de seda
Enfeiticem os olhos perdidos dos pobres peixes,

Porque tu não precisas de tais enganos,
Pois que tu própria és a tua própria isca,
E o peixe que não seja por ti apanhado,
Ah!, é muito mais sensato do que eu.


John Donne
(England 1572-1631)
 in "Poemas Eróticos" Trad. Helena Barbas