
Ali, onde há penedos, urze e
mato,
Pela primeira vez te vi
bailar!
E, em certo corpo esguio de
regato,
Ali, onde há penedos urze e
mato,
Coube a verdade estranha do
luar.
Aquela saia curta, mas
redonda!
Aquela cinta frágil, mas
comprida!
Ali, naquela dança, como em
onda
(Seria curta a saia, mas
redonda...)
Senti crescer, multiplicar-se
a vida!
Sem que tentasse alguém,
sequer, prendê-las,
Bailaram, rosas, cruzes,
arrecadas.
Buliram, sob os olhos das estrelas,
Minhas bodas, vermelhas como
estrelas,
E, como elas, distantes,
ignoradas...
Intacto e nu, trago o meu
corpo inteiro,
Maior que o céu, maior do que
o pecado!
Pinhal do monte brusco e
verdadeiro!
Mais vale, em pé, um único
pinheiro,
Que todo o azul do mar sem
fim, deitado!
O amor foi breve e rijo como
um fruto.
O vinho leve e fresco foi
exacto.
Deixá-las vir as nuvens com
seu luto!
Um minuto de Sol. Basta um
minuto
Ali, onde há penedos, urze e
mato.
Pedro Homem de Melo
Portugal, Porto 1904-1984
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