Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

1 de julho de 2015

Jiang Jie: A bela de Yu

 Quando era novo, ouvia a chuva
Acompanhado por bailarinas,
As velas tremulando, no vermelho
das cortinas de cama.
Depois, ouvia nos barcos errantes,
Nos imensos rios, sob nuvens baixas,
No vento de Oeste – lá onde
Grita o ganso selvagem.

Ouço-a agora junto à cabana dos monges,
Com prata nos cabelos,
Tristeza, alegria, ausência, encontro –
Passam, indiferentes.
Que ela tombe – a chuva, sobre os degraus,
Gota a gota, a noite inteira, até ser dia.



Jiang Jie
China 1245-1310
Trad. Gil de Carvalho
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim
Photo by Google
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