Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

3 de julho de 2015

Provençal, Anónimo: Balada (Língua d’Oc)

Sou graciosa, por isso estou em grande coita
por meu marido que não quero nem desejo 
          
E dir-vos-ei porque estou apaixonada         

Sou graciosa…
Pois sou pequena menina e moça

Sou graciosa…
E devia ter um marido que me desse alegria
Com quem sempre pudesse brincar e rir

Sou graciosa…
Que Deus me salve se estou apaixonada por este
De o amar não tenho nenhum desejo
Antes me vem tal vergonha quando o vejo
Que peço à Morte que o mate cedo.

Mas a uma coisa estou bem decidida
Pois me compensa o amor do meu amigo
Na doce esperança a quem me entreguei
Choro e suspiro quando não posso vê-lo

E dir-vos-ei que estou decidida:
Pois meu amigo me ama há tanto tempo
Desde já lhe será meu amor concedido
E a doce esperança que tanto amo e desejo.

Com este som faço uma bela balada
E peço a todos que seja longe cantada
E que a cante toda a dama ensinada
Sobre o amigo que eu tanto amo e desejo.

Sou graciosa e estou em grande coita
por meu marido que não quero nem desejo.



Anónimo
Provençal, Séc. XIII
Trad. Irene Freire Nunes
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim

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