Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

3 de maio de 2014

Francisco Brines: Azul


Busquei o azul, perdi a juventude.

Os corpos, como ondas, rompiam-se
em areias desertas. Houve amor
no recanto florido de um jardim
fechado. E quis achar palavras
que alguém pudesse amar, e elas valeram-me.

Estou a chegar ao fim. Cega meus olhos
um desolado azul iluminado.


Francisco Brines
Espanha (Oliva, Valência) 1932
in A Última Costa
Editor: Assirio & :Alvim
photo by google
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