Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

19 de outubro de 2011

Na idade em que eu : Basílio da Gama


Na idade em que eu, brincando entre os pastores,
Andava pela mão e mal andava,
Uma ninfa comigo então brincava,
Da mesma idade e bela como as flores.

Eu com vê-la sentia mil ardores,
Ela punha-se a olhar e não falava;
Qualquer de nós podia ver que amava,
Mas quem sabia então que éramos amores?

Mudar de sitio à ninfa já convinha,
Foi-se a outra ribeira; e eu naquela
Fiquei sentindo a dor que n’alma tinha.

Eu cada vez mais firme, ela mais bela;
Não se lembra já de que foi minha,
Eu ainda me lembro que sou dela!...

Basílio da Gama
(Brasil 1741-Portugal 1795)

Cecília Meireles: Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.

Irmão de coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.



Cecília Meireles 
Brasil, 1901-1964
in Viagem
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Vitorino Nemésio: O calor fez a casa mais delgada


Já um pouco de vento se demora;
Já sua força vale a de uma mão
Nestes papéis que trago para fora,
Que o campo dá certeza e solidão.

O calor fez a casa mais delgada,
Agora colho a tarde; a vida não.
Sou como a macieira carregada:
De palavras a mais cobri o chão.

Árvores há no Outono que conhecem
O toque e ardor das folhas de amanhã
E esperando-as, altas, adormecem.
Com espaço e vento nunca a vida é vã.




Eu volto à mão do Outono em meus papéis.
Penso e, indiscreto, o ar remove
Estas imagens cruéis
Que a minha vida comove.

Vitorino Nemésio
(Portugal 1901-1978)

Basílio da Gama: Já Marília cruel, me não maltrata

Já Marília cruel, me não maltrata
Saber que usas comigo de cautelas,
Que inda te espero ver, por causa delas
Arrependida de ter sido ingrata:

Com o tempo tudo se desbarata,
Teus olhos deixarão de ser estrelas;
Verás murchar no rosto as faces belas,
E as tranças d’ouro converter-se em prata.

Pois se sabes que a tua formosura
Por força há-de sofrer da idade os danos,
Por que me negas hoje essa ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos,
Gozemo-nos agora, enquanto dura,
Já que dura tão pouco a flor dos anos.

Basílio da Gama
(Brasil 1741-Portugal1795)
in Cinco séculos de poesia
Antologia da poesia brasileira clássica
Seleção: Frederico Barbosa
Landy Editora
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Fugira da minh’alma melindrada: Marceline Desbordes-Valmore

Fugira da minh’alma melindrada;
Longe de mim julguei tê-la afastada:
Toda fremente, um dia, ela chegou,
A sua mão pouco soube o que queria fazer
Tempo não tive pra me enfurecer;
Tão-pouco soube o que queria fazer;
Meu coração tarde o adivinhou.

Sem prevenir, disse ela: «Aqui estou!
Esse coração me espera. Pelo Amor
Qu’imploro, serei de novo seu senhor.»
Ao som do amor minha razão cedeu:
Quis afastar-me, e o meu corpo tremeu.
Balbuciei algum gemido ao pérfido;
Para tocar-me, vestiu um olhar tímido;
E a meus pés, chorando, se atirou.
Tudo esqueci quando o Amor chorou.

Marceline Desbordes-Valmore
(France 1786-1859)
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Eu te nomeei rainha:Pablo Neruda

Eu te nomeei rainha.

Existem mais altas que tu, mais altas.
Mais puras que tu, mais puras.
Mais belas que tu, mais belas.

Mas tu és rainha.

Quando vais pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal, ninguém vê
o tapete de ouro vermelho
que pisas por onde passas,
o tapete que não existe.



E apenas apareces
Cantam todos os rios
em meu corpo, as camparras
estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.

Somente tu e eu,
somente tu e eu, amor meu,
o escutamos.

Pablo Neruda – Los versos del capitán
(Chile 1904-1973)
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                                                              “ SOMENTE TU E
                                                                      SOMENTE TU E EU, AMOR MEU…”

Adoração: Guerra Junqueiro

Eu não te tenho amor simplesmente.
A paixão em mim, não é amor, filha, é adoração!
Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.
Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,
E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa
Em meus lábios, oh! Quando essa infinita graça
Do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante
Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,
Envolta num clarão balsâmico de Lua,
A minh’alma ajoelhar, trémula, aos pés da tua!
Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:
Além de bela és santa; além de estrela és rosa.
Bendito seja Deus, bendita seja a Providência
Que deu o lírio ao monte e à tua alma
                                                              ( a inocência,
O Deus que te criou, anjo, para te amar,
                                                                                                     E fez do mesmo azul o Céu do teu olhar!...

Guerra Junqueiro
(Portugal 1850-1923)
                                            " E FEZ DO MESMO AZUL
                                                     O CÉU DO TEU OLHAR!... "

Este perfume: Salvador Novo




E, todavia, eu não quisera amar-te.
Mas ter-te, sim de todas as maneiras.
Quem és e como és, de quem te abeiras,
que dizes ou não dizes, pouco importa.

E muito menos hoje me conforta.
Neste sorriso que te dou tranquilo,
eu ponho num remorso tudo aquilo
que em fundo amor eu pudera dar-te,

se alguma vez te amasse de amor fundo
senta-te à luz do mar, à luz do mundo,
como na primeira vez em que te vi,


tão jovem, que era crime contemplar-te.
E despe-te outra vez, pois vem olhar-te
Quantos te buscam de saber-te aqui.

 Sendo um de tantos, nunca te perdi.


Jorge de Sena
(Portugal 1919-1978)
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Escuridão formosa: Gonzalo Rojas

À noite toquei-te e senti-te
sem que minha mão fugisse para lá da minha mão
sem que o meu corpo fugisse, ou meus ouvidos:
de um modo quase humano
senti-te.

A pulsar,não sei se como sangue ou como nuvem errante,
em minha casa, na ponta dos pés, escuridão que sobe,
escuridão que desce, cintilante, correste.

Correste por minha casa de madeira,
e abriste as janelas,
e senti pulsar a noite toda,
filha dos abismos, silenciosa,
                                                                                        guerreira tão terrível e tão bela,
                                                                                        que tudo quanto existe,
                                                                                        sem tua chama, não existiria para mim.

Gonzalo Rojas
(Chile 1917-2011)
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Dorme, amor!... : Illé Tuktash

Dorme, amor!... Uma estrela nascente
Treme, suave, quando vem o vento leve.
Vibra com o com o frio, o portão
Desenha seus contornos no crepúsculo.
Dorme!... Esta noite serei uma pomba,
Descerei, leve, sobre a tua cortina,
Para sobre o peito te cruzar as asas,
E sem ruído, depois te abraçar.

Illé Tuktash
(1907-1957)
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Dizei lá o que é o amor?: Georg Philipp HarsDorffer

Corações juntos e unidos,
Um veneno mais que doce.
Dor que faz bem aos sentidos.
Seta que acerta e adormece.
Obra que ao mundo traz gente.
Moço fogoso e atrevido.
Um jogo que afinal mente.
Chama e braseiro de cupido.
Fardo leve de levar.
Menino amável galante.

Tristeza que dá prazer.
Corda que prende o amante.

Ser cego, sombrio, sinistro.
Noite de gozo e grandeza.
Livro já lido e revisto
Fausto de fugaz beleza.
Freira de comprar remorsos.



Desrazão inteligente.
Estrada de muitos cansaços.
Fogo que arde eternamente.

Georg Philipp HarsDorffer
(German 1607-1658)
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Dispo-te lentamente: Isaac Felipe Azofeija






























Dispo-te lentamente, beijo a beijo
Este botão, esse colchete, aquela fita,
uma pequena fivela, uma ilhó diminuta,
a suavíssima seda que resvala, as rendas
em cuja nuvem crespa até dormito
moroso, prolongando o termo
do beijo, buscando as mais suaves
regiões, as profundas fontes. E de súbito
detenho-me,
e olho-te nua, plena, bela, minha,
forma total que o amor criou no sonho,
estátua levantada por minhas mãos, meus beijos.



Isaac Felipe Azofeija
Costa Rica 1909-1997
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Com mirtos e rosas: Heinrich Heinne

Com mirtos e rosas, graciosos, galantes,
Odor dos ciprestes e ouros reluzentes,
Quero como um caixão este livro ornar
E as minhas canções nele enterrar.

Pudesse eu também enterrar o amor!
Na campa do amor cresce a flor da paz,
Aí ela se abre, colhemo-la lá;
Pra mim, só na campa ela florirá.



São estes os cantos que outrora, em torrente,
Qual lava do Etna vinham de rompante
Brotando a galope do fundo da alma,
Chispando faíscas, e nada os acalma.


Agora estão mudos, dos mortos irmãos,
Agora olham frios, das névoas irmãos.
Mas já os anima o antigo ardor,
Se sobre eles paira a orça do amor.

E presságios enchem o meu coração,
Cai amor-orvalho na minha canção;
Este livro há-de à tua mão chegar,
Na terra distante onde estás, amor.

E desfaz-se então do canto o feitiço,
E olham-te as letras num brilho mortiço;
Fitam, implorando, o teu belo olhar,
E sussurram tristes, suspirando amor.

Heinrich Heinne
(German 1797-France 1856)
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Cantiga: Sá de Miranda


Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo:
Não posso viver comigo
Não posso fugir de mim.

Com dor, de gente fugira
Antes que esta asi crecesse;
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?

Sá de Miranda
(Portugal 1481-1558)
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As estrelas errantes: Ramon Campoamor


Quando criança, vendo uma estrela errante,
supus ingenuamente
ser algum anjo que descia amante
a beijar-me e abraçar-me, sorridente.

Jovem já, vi outra estrela que corria;
disse, em minha loucura:
«« Minha estrela do Norte, que me guia
ao prazer, ao amor e à aventura.»»

Vi ontem voar um astro quase extinto,
que até ao chão desceu:

Era a estrela do meu feliz destino
Que, de tão velha, ia a cair ao céu.

Ramon Campoamor
(Espanha 1817-1901)
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As cartas dele: Elizabeth Barrett Browning


As cartas dele! Papel morto e frio…
Parecem hoje estremecer, no entanto
e tomar vida, e palpitar, enquanto
com as trémulas mãos lhes solto o fio.
Esta lembra um encontro fugidio;
esta uma coisa simples: o encanto
dum aperto de mão; mas diz-me tanto
que um dia todo, ao lê-la, choro e rio.
Esta me escreve: « Adoro-te, querida»
e caí, deslumbrada, a soluçar
como se fosse o fim da minha vida!
Mas esta… A tua fé, no próprio altar,
Viste, ó Amor, vilmente escarnecida,
se o que esta diz eu devo acreditar.

Elizabeth Barret Browning
(England 1809-1861)
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Alma minha gentil, que te partiste: Luis de Camões


Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no céu eternamente,
e viva cá eu na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
alguma cousa a dor que ficou
de mágoa, sem remédio perder-te,

roga a Deus, que teus olhos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Luiz Vaz de Camões
(Portugal 1524-1580)
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Ai não me deixes! Gonçalves Dias


Debruçada na águas de um regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava…
“ Ai não me deixes, não! “

“ Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão;
Límpido ou turvo, te amei constante;
Mas não me deixes não!”

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
“ Ai não me deixes não! “

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
“ Ai não me deixes não! “

Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que não a deixasse, não.

Corrente impiedosa, a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
“ Não me deixas-te não “

Gonçalves Dias
(Portugal 1823-1864)

18 de outubro de 2011

Castro Alves, Adormecida




Uma noite eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço no tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, um pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmolos - beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despertada a meio,
P'ra não zanga-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio.

Eu fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
" Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
" Virgem! - tu és a flor da minha vida?...

Castro Alves
(Brasil 1847 - 1871 )
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A uma mulher: Vinícius de Moraes


Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito
nu sobre o teu peito.
Estavas trémula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios.
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.

Vinicius de Moraes - O caminho para a distância
(Brasil 1913-1980)
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17 de outubro de 2011

Natália Correia: A recusa das imagens evidentes

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silencio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levam à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esperas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia
(Portugal 1923-1993)
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4 de outubro de 2011

A boca dele vagueou: D. H. Lawrence


A boca dele vagueou, vagueou, quase lhe tocou na orelha.
Ela sentiu a primeira grande chama percorrer-lhe o corpo…
Ele encontrara a penugem macia que ela tinha para lá
das faces, junto à raiz das orelhas.
E a boca dele remexeu-a delicadamente,
como os anjos infernais remexem as chamas
com varetas de vidro, ou um cão no rasto da presa
remexe a erva até a caça sair do esconrerijo.
D. H. Lawrence
(England 1885-1930)
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1 de outubro de 2011

A estrelinha: Vasile Alecsandri

Tu, que na Eternidade negra andas perdida,
Estrela doce, amada deste coração meu,
E que outrora tinhas no brilho tanta vida,
Quando éramos no mundo somente tu e eu;

Oh, branda luz, tão meiga e secreta!
A saudade por entre as linhas sempre te buscará
E muita vez, cruzando a nocturna claridade,
Em imortais alturas para ti voará.

Passei anos de pranto, passarão tantos inda
Desde que te perdi em hora de pesar!
E minha dor não cansa, e minha mágoa infinda
Qual triste Eternidade, não sabe o que é passar!

Prazer dos meus amores, prazer mais fascinante!
Sentir sonho grandioso de vindouro esplendor!
Tão cedo apagados, estrelas dum instante
Que vão atrás deixando um escuro aterrador.

Cedo apagados! Logo errando em meu tormento
Não tenho outro consolo mais vivo neste aquém
Senão alçar p’ra ti este meigo pensamento,
Estrelinha sorridente, da tumba mais além!

Que muito, sim! Ai, muito na vida eu te queria
Carícia deleitosa deste coração meu!
E em muita felicidade o amor teu me envolvia
Quando éramos no mundo somente tu e eu!

Vasile Alecsandri
(Romênia 1821-1890)
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Desejos escaldantes: Johana Lindsey


Mas a boca dele já estava atravessada
sobre a dela e ele já tinha assegurado
que não lhe podia escapar.
Sem pressa, com um cuidado infinito,
ofereceu-lhe a delicadeza
de uma vida inteira, beijos destinados
a seduzir, a hipnotizar, a despertar
todos os impulsos sensuais
que ela possuía.
Já tinha os braços dele
em volta do pescoço quando
a sua língua fez descerrar
os lábios dela,
entrou e transportou-a
rapidamente para aquela região de
não - se – importar – com – o – que – fazia.


Johana Lindsey
(U.S.A.)
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