Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

27 de março de 2016

Angel Maria Dacarrete: Recordação


    A lua não brilhava, sacudidas
pelo vento as ramagens queixavam-se.
    Chispas de luz vertiam as estrelas
sobre as trémulas águas.
    Sob seu incerto esplendor eu via
rolar por suas faces uma lágrima
e, toda trémula, entre suas mãos hirtas
minhas mãos apertava.
    Mas de repente de seus olhos negros
o vivo raio penetrou minha alma,
e, retirando sua mão das minhas,
seu olhar afastava.
    A altiva fronte levantou serena;
sorriso amargo em seus lábios vagueava…
e, pálidos nós dois e silenciosos,
deixámos a ramada.



Angel María Dacarrete
Espanha, Cadiz 1827-1904
Trad. José Bento
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim
photo by Google
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