Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

22 de março de 2013

Al Berto: Amadeo Modigliani & Jeanne Hébuterne


amadeo:
certo dia, quando pintava o retrato de soutine e a mão
deixara de me seguir, soutine disse-me:
- bebes para te matares.
e eu perguntei-lhe:
- e tu soutine, o que te levou à tentativa de te enforcares?
saímos depois, em silêncio para a rua. vimos o seu latejar sob
as pontes e engolir as estrelas da imensa noite de paris.

jeanne:
soutine tinha razão, os anos passaram, não muitos, e
amadeo tentara arranjar coragem para deixar de beber. foi
inútil, e às vezes era violento - apesar de saber que eu nunca o abandonaria.

amadeo:
jeanne pressentiu que eu não precisaria de muito tempo
para realizar a minha obra. sempre vivi como um meteoro.

soutine:
a 25 de janeiro de 1920, jeanne soube da morte de
amadeo. refugiou-se num quarto em casa dos pais, num
andar. abriu a janela e saltou para junto dele.

Al Berto
(Portugal 1948-1997)
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