Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

4 de outubro de 2015

Egipto: Com sinceridade confesso o meu amor



















Com sinceridade confesso o meu amor;
Amo-te, sim, e desejo amar-te ainda mais de perto;
Como dona da tua casa,
O teu braço posto sobre os meus.

Ai de mim por teus olhos vagos.
Digo ao meu coração: «O meu amo
Partiu. Durante
A noite partiu
E deixou-me. Sinto-me um túmulo.»
E a mim própria pergunto: Não fica nenhuma sensação,
quando vens até mim?
Mesmo nenhuma?

Ai de mim por esses olhos que te afastam do caminho,
Sempre tão vagos.
E apesar disso confesso com sinceridade
Que andem eles por onde andarem
Se vierem ter comigo
Eu reentro na vida.



Egipto 1567-1085 a.C.
Trad. Helder Moura Pereira
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim
photo by Google
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