Carta de apresentação


O SECRETO MILAGRE DA POESIA

Sentimo-nos bem com seu contacto.
Disertamos sobre as suas maravilhas.
Auscultamos pequenas portas do seu mistério
e chegamos a perder-nos com prazer
no remoínho do seu interior.
Apercebemo-nos das suas fragilidades e manipulações.
Da sua extrema leveza.
Do silêncio de sangue e da sua banalização.

Excerto

in Rosa do Mundo

30 de junho de 2015

Mongólia, Calmucos: SINDIRYA

Para ti tecia ao luar
Uma túnica de flores amarelas.
Se pudesse acreditar que me deixavas
À tona da água a teria desfolhado.

Para ti teci à sombra das árvores
Uma túnica de musgo do bosque
Se pudesse acreditar que me deixavas
Aos quatro ventos a teria dispersado!

O vento que rodopia no meio dos abismos
Não pode mover os rochedos de Sindirya
Os rigores dos deuses implacáveis
Não podem mudar o coração que te ama.

A água das chuvas e das cheias
Não pode turvar a nascente de Sindirya.
Os homens e os dias que passam
Não podem fazer murchar o meu amor.


Mongólia, Calmucos
Séc. XVII
Trad. Maria Jorge Vilar Figueiredo
In Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
Editor: Assirio & Alvim

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